D. Narcisa de Villar

Ana Luísa de Azevedo Castro

 

Apresentação

Marisa Lajolo

(...) Dona Narcisa de Villar foi escrita quando apenas tinha eu 16 anos: merece portanto que desculpeis a mediocridade da linguagem e a singeleza com que decorei as cenas .(...) Permiti-me contar, que fareis também com que um dia seja tão favoravelmente acolhido por seus compatriotas, o humilde e grato nome com que subscreve os seus mais ainda humildes escritos a

Indígena do Ypiranga

 

Corria o ano de 1859 quando Ana Luísa de Azevedo Castro escreveu as linhas acima, pórtico modesto para a linda história de Dona Narcisa de Villar, lançada em livro simultaneamente aos versos românticos de As primaveras de Casimiro de Abreu e às radicais Trovas burlescas de Luís Gama. Dois anos antes, José de Alencar comovia o país com os folhetins de seu O Guarani e Gonçalves Dias celebrava em tom épico Os timbiras . 
Não seria já tempo de passar para o feminino a voz indianista? Afinal, parte considerável da tradição narrativa sempre vestiu saias, a começar de Sherazade e da Mamãe gansa, de Perrault ... 

Com competência e sensibilidade, este delicado e delicioso livrinho patrocinou a travessia. Articulou à lenda da Ilha do Mel todo o imaginário folhetinesco com que já estava familiarizado o público brasileiro. Orfandade, identidades misteriosas, fugas espetaculares, vilões sem um pingo de caráter e heróis sem jaça são magistralmente orquestrados numa moldura narrativa de índias e donzelas, que ao redor da fogueira contam histórias. 
Contam histórias e fazem história de alta qualidade , tornando-se, pois, a proclamada modéstia do texto acima transcrito, mera convenção charmosa na pena de uma romancista por muito tempo disfarçada atrás do sugestivo pseudônimo Indígena do Ipiranga . Desvelada sua identidade, Ana Luísa de Azevedo Castro fala hoje de igual para igual com suas irmãs de letras, escribas e leitoras, que continuam a ler, escrever e contar histórias. 
E a fazer História . 

Marisa Lajolo

 

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