Lésbia 

Maria Benedita Bormann (Délia)

Apresentação

 

    Lésbia, escrito em 1884 e publicado seis anos depois, tem por heroína uma escritora vivendo no Rio de Janeiro no final do século. Eram poucas as experiências permitidas às mulheres, na época, assim como era limitada a educação que recebiam. Papéis sociais de mulheres e homens naquela sociedade eram claramente delimitados. O homem era organizador, administrador e criador de cultura enquanto a mulher era uma procriadora ou mãe dedicada que acalentava sentimentos simples e não tinha uma história própria. Produção artística e reprodução biológica eram campos contraditórios, oferecendo vidas alternativas ou paralelas onde cabia às mulheres serem musas e inspiradoras, nunca criadoras. Como então se tornar uma artista? Quais os elementos catalisadores da metamorfose da mulher em artista a partir da limitada experiência de vida permitida à mulher de classe média? Quais obstáculos teria de enfrentar, quais as dificuldades na vida da escritora? Essas são as perguntas que conduzem este romance.

    Neste romance sobre uma artista, a paixão pela escrita e pela leitura está presente desde o início apesar de toda sorte de obstáculos ao desenvolvimento e realização intelectual da heroína. Délia estabelece a ligação entre a busca da protagonista por desenvolvimento artístico, independência financeira e amorosa, e a noção de um lugar próprio de trabalho. Antecipando temas que ainda hoje nos assombram, como a alternância entre vida e obra e as questões amorosas e eróticas, este livro, publicado há mais de um século, permanece atual.

 

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