Ignez Sabino

Dados biográficos

Ignez Sabino Pinho Maia nasceu em Salvador, na Bahia, em 31 de dezembro de 1853 sendo seus pais o Dr Sabino Olegário Ludgero Pinto e Gertrudes Pereira Alves Maciel. Foi casada com o português Francisco de Oliveira Maia, comerciante. Faleceu no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1911. Foi poetisa, contista, romancista, memorialista e biógrafa.

O nome de Ignez Sabino é ainda muito lembrado entre as pesquisadoras em virtude de se ter preocupado em perenizar nomes de mulheres que se distinguiram, ou por atos cívicos ou por obras literárias, no belo livro Mulheres Illustres do Brasil, editado pela primeira vez em 1899.  

Ignez Sabino, conquanto nascida na Bahia, mudou-se para Pernambuco, em pequena, quando seus pais lá se instalaram. Seu pai era médico homeopata e, pela educação proporcionada à filha, parece ter sido um homem de idéias largas e um humanista. Revelando-se dotada para as letras, desde cedo, o pai enviou-a para aperfeiçoar-se na Inglaterra. Infelizmente, sua estada neste país não foi muito longa porque faleceu-lhe o pai, e ela foi obrigada a regressar ao Brasil. Essa viagem marca-lhe alguns contos de cunho nitidamente autobiográfico.

Ao voltar, com a intenção de se bacharelar em letras, teve como mestres Tobias Barreto e Pedro Autran da Matta Albuquerque, ambos importantes lentes da Faculdade de Direito. A Tobias Barreto, dedicou versos altamente laudatórios como, por exemplo, os seguintes: “O teu talento me extasia!/ Se não tens o poder do ouro fictício,/...tens ouro intelectual e esse portento/ que a todos não bafeja, num momento,/ por sobre ti pousou”.

Seu livro de poemas Ave libertas foi uma estréia promissora e é engajado na causa abolicionista. Mereceu o apoio da grande atriz Ismênia dos Santos que o recitou, em 1887, no Theatro Santa Isabel, no Recife e obteve grande consagração do público, tanto para a atriz como para a autora, segundo conta Affonso Costa, no artigo citado.

Depois dessa venturosa estréia, seguiu-se a publicação de Rosas Pallidas e de Impressões, ainda em 1887. Num mesmo ano, publicou três livros de poesia.

Em 1891, publicou o livro Contos e Lapidações conjunto de poesias, contos e crônicas um tanto autobiográficas. 

Segundo Affonso Costa, Ignez Sabino foi das brasileiras que mais escreveram e publicaram, e, ao seu acervo literário, para mostra de seus valores intelectuais, devem-se aduzir as traduções do francês e do inglês que ela procedera, muitas das quais se perderam, e igualmente as fartas riquezas de sua cultura e o brilho de sua inteligência nas manifestações do espírito artístico, isto é, na pintura e na música.

            O seu nome merece ser lembrado por sua ação na luta pelos direitos femininos. Em Mulheres Ilustres do Brasil, de 1899 Sabino estabelece a biografia de várias brasileiras, guerreiras ou  mulheres de letras..Trata-se de importante trabalho de memória literária,sem o qual,  hoje,  muitas escritoras brasileiras estariam para sempre esquecidas. Alguns dos estudos são acompanhados por retratos das biografadas o que foi, igualmente, muito importante.

Tendo publicado no livro Noites Brazileiras, um bosquejo histórico, oferecido à Pátria, tal trabalho valeu-lhe, conforme o assinala Maria Clara da Cunha Santos em sua coluna Carta do Rio[1] , a entrada de sócia correspondente do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, tendo sido a primeira mulher brasileira a obter tal “distinção”.

Além de publicações em livros, Ignez Sabino foi assídua freqüentadora dos periódicos, sobretudo os dirigidos por mulheres. Assim, deixou várias contribuições na revista A Mensageira, dirigida por Presciliana Duarte de Almeida.(Zahidé L. Muzart)  


[1] A mensageira, São Paulo, ano I, n. 10, 28/fev/1898.

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