Flora Tristan

 

 Cronologia

7 de Abril de 1803 – Nasce em Paris Flora Celestine Thérèse Henriette Tristan y Moscoso. Filha de uma francesa, Anne Pierre Lainé (ou Laisney) e de um general e nobre peruano, Don Mariano de Tristan y Moscoso.

14 de Junho de 1807 – Morre o general Tristan y Moscoso, sem haver legalizado o casamento com a mãe de Flora. Esta nunca conseguiu provar legalmente o casamento de seus pais, que havia sido realizado em Bilbao numa cerimônia clandestina. Neste mesmo ano, Anne Pierre, com Flora e o irmão menor, vão morar no campo, face às dificuldades financeiras.

Fevereiro de 1818 – Após a morte do filho menor, Anne Pierre e Flora voltam a residir em Paris num bairro pobre.

1820 – Com dezessete anos, Flora começa a trabalhar no ateliê do ilustrador André François Chazal.

3 de Fevereiro de 1821 – Flora e André Chazal se casam.

1822 (ou 1823) – Flora dá à luz o primeiro filho, cujo nome se desconhece.

22 de Junho de 1824 – Ela dá à luz o segundo filho, Ernest Camille.

16 de Outubro de 1825 – Nasce Aline Maria, futura mãe do pintor Gauguin, sua única filha. Antes do nascimento de Aline o casamento de Flora já estava praticamente desfeito e ela passou a morar com a mãe.

1826 – Flora viaja à Inglaterra como empregada de uma família inglesa. Nessa época, conhece também a Suíça e a Itália. As viagens sempre a fascinaram.

Maio de 1828 – Flora consegue uma medida judicial que define a separação de bens do casal. Porém, Chazal continua a persegui-la e luta para obter a guarda dos filhos.

1829 – Inicia-se uma correspondência de Flora com seus parentes peruanos. Envia uma carta para seu tio Pio Tristan aos cuidados do capitão Chabrié, que ela encontra por acaso em um hotel de Paris. Desde então recebe, periodicamente, uma subvenção de Don Pio, seu tio.

1830 – Flora participa de concentrações populares e atos de protesto. O universo da política sempre a atraiu.

1832 – Morre seu filho mais velho, que tinha graves problemas de saúde. Durante todo esse ano o marido não deixa de persegui-la, seguindo-a na rua, insultando-a e até agredindo-a.      

7 de Abril de 1833 – No dia em que completa 30 anos, Flora embarca para o Peru a bordo do Mexicain comandado justamente pelo capitão Chabrié. Começa assim a aventura peruana que terminará 1 ano e 9 meses depois, sem que ela tenha obtido seu intento, isto é, ser reconhecida como filha legítima de Don Mariano Tristan y Moscoso.

15 de Julho de 1834 – Flora embarca em Callao rumo a Liverpool. Nada se sabe sobre essa viagem de regresso à Europa mas as notas da longa viagem ao Peru irão se transformar num apaixonado relato de viagem: “As Peregrinações de uma Pária”.

1835 – Na volta à Europa, Flora publica em Paris, pela editora Delaunay, no Palais Royal, seu primeiro trabalho literário: um folheto com o título “Necessidade de dar uma boa acolhida às mulheres estrangeiras”; neste texto, ela aproveita suas reflexões de viagem e as idéias resultantes do contato com mulheres de outros países. Flora enviará um exemplar desta primeira publicação a Charles Fourier, socialista utópico que então iniciava uma nova doutrina e com quem Flora mantinha correspondência.

Dezembro de 1837 – Flora encaminha aos deputados uma petição na qual pleiteia o restabelecimento do divórcio na legislação civil francesa.

1838 – Publica em Paris “As Peregrinações de uma Pária”, memórias de viagem com muitos detalhes biográficos. Segundo a tradutora Emília Romero o texto de “Peregrinações de uma Pária” “en realidad es una mezcla de diario íntimo, de novela de aventuras, de cuadros de costumbres, de diário de viajes, de panfleto viril”.

1838 – Flora publica, no final desse ano, o romance “Méphis ou a Proletária” (abreviatura de Mefistófeles) em dois volumes, edição Ladvocat. O texto do romance apresenta traços biográficos. Em Setembro desse mesmo ano, Chazal atenta contra a vida de Flora. Esse episódio sangrento reverterá em publicidade para seus livros. Eis o que escreve Sainte Beuve em carta aos amigos Olivier: "A grande novidade aqui é o atentado contra Flora Tristan por seu marido: isto a fez mais célebre em uma hora do que em dez anos de vida literária”.

10 de Dezembro de 1838 – Flora encaminha à câmara dos deputados um documento solicitando o fim da pena de morte.

Maio de 1839 – Flora realiza sua quarta viagem à Inglaterra – completando suas anotações sobre a sociedade inglesa e estudando sobretudo as condições dos trabalhadores ressaltando a triste situação da mulher e dos pobres. Todas essas observações serão aproveitadas na redação da obra “Passeios em Londres”.

1840 – Publicação de “Passeios em Londres”. De todas as obras da autora, esta foi a única a conhecer quatro edições francesas em vida da autora, sendo duas edições no ano de lançamento do livro e duas outras em 1842. Segundo F. Bédarida, estudioso da obra de Flora, “Passeios em Londres” contém “páginas magistrais de etnografia social e política”.

Dezembro de 1842 – Flora conhece a obra de Agricole Perdiguier sobre o “compagnonage” e entra em contato com o autor. Desse encontro lhe surge a idéia de escrever União Operária. Flora redigiu a obra em apenas 6 semanas.

1843 – Flora publica sua obra capital, “A União Operária”, graças a uma subvenção pública. Neste texto, ela se mostra uma lúcida precursora do socialismo e do sindicalismo. Flora promoveu ativamente a difusão do livro através de contatos nos meios proletários. Após a publicação da “União Operária” Flora percorre a França levando seu pequeno livro que ela lerá para os que quiserem ouvir; visita fábricas, oficinas, vai em busca das autoridades e dos patrões, pregando a todos as idéias de liberação da mulher e melhorias dos operários.

12 de Abril de 1844 – Flora inicia sua última viagem partindo de Paris em direção a Bordeaux, insistindo sempre em suas “pregações messiânicas”, entre lutas, tumultos, zombarias e incompreensões por parte dos próprios operários.

14 de Novembro de 1844 – Flora vem a falecer, segundo algumas fontes vitimada pela febre tifóide, segundo outras pela congestão cerebral. Sua morte provoca muita emoção na região da Gironde e seu sepultamento é seguido por intelectuais e por uma multidão de operários.     

 

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Peregrinações de uma pária