Carmen Dolores  


Biografia

por Eliane Vasconcellos       

 

Carmem Dolores, pseudônimo da escritora Emília Moncorvo Bandeira de Melo, nasceu no Rio de Janeiro dia 11 de março de 1852 e morreu dia 16 de agosto de 1910. Foi sem dúvida uma das escritoras mais importantes de seu tempo. Abraçou a literatura primeiro por diletantismo; depois, premida pela necessidade financeira, fez de sua pena um meio de ganhar a vida, e o fez tão bem que quando morreu, em 1910, era a colunista mais bem paga de O País.  

 Foi uma das escritoras pioneiras na luta pela educação da mulher e por sua colocação dentro da força de trabalho; não teve medo de ser a favor do divórcio; curiosamente, no entanto, não lutou pelo sufrágio feminino, como se lê em algumas de suas crônicas. Entre seus temas prediletos, destacamos a defesa do feminismo e da lei do divórcio, tão bem apresentada em seu livro Ao esvoaçar das idéias — defesa feita em sete crônicas, apoiando a luta da advogada Mirtes Campos. Espírito combativo, tinha independência de opinião e de idéias, e as colocava sem receio ou hesitação.

Além de cronista ativa, publicou os livros de contos Gradações, Um drama na roça e Almas complexas, além do romance A luta, publicado antes como folhetim no Jornal do Commercio, em 1909, com primeira edição em livro em 1911, pela H. Garnier. Refletindo o momento em que vivia, em A luta Carmem Dolores vai oscilar entre uma posição inovadora e tradicional, ou seja, entre uma mulher independente e moderna, e uma ainda presa à estrutura patriarcal. Mas sua observação apurada e seu estilo primoroso, numa trama encabeçada por duas mulheres maduras no gerenciamento de suas famílias, fazem com que a leitura deste romance seja, ainda hoje, prazerosa.

A Editora Mulheres, dando continuidade a sua linha de publicações que tem como um dos objetivos a reedição de romances deixados de lado pelo mercado editorial — e já tendo alcançado êxito com a publicação de A Silveirinha, de Júlia Lopes de Almeida, e de Dona Narcisa de Villar, de Ana Luísa de Azevedo Castro —, entrega agora ao público A Luta, com um belo estudo de Maria Angélica Guimarães Lopes.

Revelando bem o moralismo da época, Frei Sinzig, em 1915, diz tratar-se de um livro imoral, no qual a autora parecia estar sob influência estranha. Indignado, o frei questiona como uma senhora pode escrever semelhante imoralidade. O livro nada tem de imoral e, como mostra Maria Angélica, ele evidencia as opiniões de Carmem Dolores sobre a posição da mulher casada e do clero católico. Não se trata de um romance de tese; nele Carmem Dolores não propõe um modelo de educação feminina, apesar de criticar a educação dada às três filhas de D. Adozinda.

 

 

autora e obrabibliografia | apresentação | excerto | comprar 

A luta | Imprensa