|
O Feminismo Tático de Bertha Lutz |
|
|
RACHEL SOIHET. O Feminismo tático de Bertha Lutz. 312
p.
Cronologia
1894 – Bertha Maria Júlia Lutz nasce em
São Paulo, a 2 de agosto de 1894, pouco tempo depois de seus pais
terem se instalado naquela cidade. 1908 – A família se transfere para o
Rio de Janeiro, quando seu pai, o cientista Adolpho Lutz, passa a
trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz. 1918 – Bertha Lutz se forma em Ciências
Naturais pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris
(Sorbonne). Durante a Primeira Guerra Mundial, vive num apartamento
alugado na capital francesa com a mãe, Amy Fowler Lutz, e o irmão,
Gualter Adolpho. Neste mesmo ano, ao retornar ao Brasil, é contratada
como tradutora no Instituto Oswaldo Cruz. Nesta instituição,
organiza o Museu de Zoologia e auxilia seu pai, pioneiro em Medicina
Tropical e Zoologia Médica no Brasil. Ainda neste ano, uma das
primeiras manifestações feministas de Bertha Lutz ocorre através de
uma carta enviada à seção Cartas de Mulher, da Revista da
Semana, e publicada em 28 de dezembro. Nesta, imbuída das idéias
com as quais tomara contato na Europa, expressa suas percepções a
respeito da emancipação feminina. 1919 – É classificada em primeiro lugar
em concurso para o cargo de Secretária no Museu Nacional, no qual
concorrera com dez candidatos masculinos. Foi a segunda mulher
brasileira a ingressar no serviço público. Atua, desde o início, no
quadro científico da instituição. Neste mesmo ano, funda, em
conjunto com Maria Lacerda de Moura, a Liga para a Emancipação
Intelectual da Mulher. Composta, aproximadamente, de quarenta sócias
e alguns poucos homens que aderiram à organização, se propunha a
fazer reconhecer os direitos das mulheres e sua participação na vida
pública. Participa como delegada oficial do Brasil no Congresso da
Organização Internacional do Trabalho, sobre as condições de
trabalho das mulheres. 1921 –Diante do parecer favorável do
Senador Lopes Gonçalves aos direitos políticos das mulheres, Bertha
envia ofício elogioso ao mesmo. Prática que se reproduz, por anos a
fio, com outros políticos que assumiam posições favoráveis às
reivindicações femininas. O Deputado Juvenal Lamartine, relator de
um projeto de reforma eleitoral destaca o voto feminino e apresenta
projeto em separado – dando direitos políticos aos cidadãos
brasileiros “sem distinção de sexo” – fórmula definitivamente
adotada pelo movimento feminista organizado. 1922 – Participa da I Conferência
Interamericana de Mulheres, realizada em Baltimore, EUA. A partir
disso, o feminismo brasileiro alcança uma nova conotação,
vinculando-se intimamente ao norte-americano e se filiando a organizações
similares internacionais. Ao fim da Conferência, as representantes
latino-americanas fundam a Associação Pan-americana de Mulheres,
sendo eleita uma de suas vice-presidentes. A 9 de agosto de 1922, é
fundada a Federação
Brasileira pelo Progresso Feminino, presidida por Bertha Lutz. O Instituto da Ordem dos Advogados declara que o voto feminino é
constitucional e oportuno. Neste mesmo ano, intercede junto ao
Conselho Municipal,
para redução do horário de trabalho das empregadas do comércio, de
treze a quatorze horas diárias para oito horas, em uma de suas várias
manifestações em prol da regulamentação e humanização do
trabalho feminino. Em dezembro, promove o I Congresso Internacional
Feminino. Ao final, é criada a Aliança Brasileira pelo Sufrágio Feminino, que se encarregaria
especialmente das mobilizações em prol da conquista do voto. Bertha,
também em 1922, participa do Congresso Brasileiro de Ensino Secundário
Superior, no qual fica assegurado o ingresso de alunos do sexo
feminino no ensino secundário oficial, requisito fundamental para a
abertura de iguais possibilidades para homens e mulheres no acesso ao
ensino superior, já franqueado a estas nesse momento. 1923 – Bertha representa a Aliança
Brasileira pelo Sufrágio Feminino no IX Congresso Internacional
pelo Sufrágio Feminino, realizado em Roma. Pela primeira vez, o
Brasil participava de uma reunião internacional feminina envolvendo
países dos dois hemisférios. Com base em acordos internacionais firmados na Conferência Geral
do Trabalho, realizada em Washington no ano de 1919, a F.B.P.F.,
liderada por Bertha Lutz, pleiteia representação proporcional
feminina entre os membros do Conselho Nacional de Trabalho, instituído
por Arthur Bernardes, reivindicação rejeitada sob a alegação de
falta de vagas. 1924 – A F.B.P.F. reivindica, com êxito,
a inclusão de uma representante da entidade no Conselho de Assistência
à Infância. Bertha é condecorada pelo governo da Bélgica por serviços
prestados à agricultura. 1925 – Bertha representa o Brasil na Conferência Pan-americana em
Washington. 1927 – A F.B.P.F. envia ao Senado
Federal uma mensagem contendo duas mil assinaturas de mulheres,
reivindicando o voto feminino. A entidade se aproveitava do precedente
aberto no Rio Grande do Norte, com a inclusão de um dispositivo na
Lei Eleitoral pelo senador Juvenal Lamartine que estabelecia igualdade
de direitos políticos para homens e mulheres. 1928 – Os juízes eleitorais de vários Estados alistam mulheres
eleitoras, seguindo o exemplo do Rio Grande do Norte na interpretação
da Constituição. 1929 – Lidera a fundação da União
Universitária Feminina, a qual reuniria mulheres graduadas ou
matriculadas em universidades e escolas superiores, a fim de propiciar
o auxílio mútuo, a defesa dos direitos femininos nas profissões
liberais, bem como incentivar o desenvolvimento da intelectualidade
feminina brasileira. É deste ano a elaboração de O Voto Feminino
perante a Justiça,
compilação de decisões judiciais. Representa o Brasil na Conferência de Berlim. Participa como representante do Brasil do Congresso da Aliança
Internacional pelo Sufrágio Feminino em Berlim. A sra. Alzira
Soriano é eleita prefeita de Lages, no Rio Grande do Norte, sendo a
primeira prefeita da América do Sul. No mesmo Estado são eleitas várias
intendentes. 1930 – Os senadores Adolpho Gordo, Aristides Rocha, Antônio Moniz e
outros defendem o voto feminino no Senado, onde é aprovado em 2ª
discussão. 1931 – A 11 de junho deste ano,
inaugura-se o II Congresso Internacional Feminino, em cujas resoluções
destacavam-se aquelas que solicitavam medidas protetoras do trabalho
feminino. 1932 – Bertha Lutz recebe o convite do
Bureau Internacional do Trabalho da Sociedade das Nações para
integrar a Comissão de Peritos sobre as condições do trabalho
feminino. No plano interno, é indicada pela F.B.P.F. e entidades autônomas
filiadas para representar a mulher brasileira na Comissão de Elaboração
do Anteprojeto da Constituição (promulgada em 1934). Redige e
publica um trabalho contendo diversas observações e sugestões,
inclusive referentes ao trabalho feminino, intitulado Treze Princípios
Básicos – Sugestões ao anteprojeto da Constituição. 1933 – É a primeira mulher brasileira a
participar da representação do governo em uma conferência
internacional americana, a VII Conferência de Montevidéu. É
indicada para representar o movimento feminista na Câmara Legislativa
Federal, concorrendo pela Liga Eleitoral Independente, seção
feminista do Partido Autonomista do Distrito Federal. Neste ano,
gradua-se como advogada na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. O
ingresso no curso jurídico deveu-se, em grande parte, às suas
atividades como líder feminista, tendo publicado uma série de
trabalhos referentes aos direitos femininos, como A Nacionalidade
da Mulher Casada neste mesmo ano. 1934 – Obtém a primeira suplência para
deputada federal. 1936 – Com o falecimento do titular,
deputado Cândido Pessoa, Bertha Lutz passa a integrar a Câmara
Federal em 28 de julho de 1936, exercendo o mandato até 10 de
novembro de 1937. Durante sua atuação como parlamentar, destaca-se a
criação da Comissão do Estatuto da Mulher, da qual foi presidente e
cujos objetivos centravam-se na regulamentação dos artigos
constitucionais referentes às mulheres. 1937 – Decretado o Estado Novo,
encerra-se a carreira de Bertha como parlamentar e se arrefece a
capacidade de mobilização da F.B.P.F., de cuja direção ela foi
gradualmente se afastando. Neste ano, publica O Trabalho Feminino
– A mulher na ordem econômica e social. 1944 – Representa o Brasil na Conferência
Internacional do Trabalho, realizada na Filadélfia, EUA. 1951 – Bertha Lutz é premiada com o título
de Mulher das Américas. 1952 – Representa novamente o Brasil em
uma Comissão das Nações Unidas criada por sua iniciativa, referente
aos Estatutos da Mulher. 1975 – Neste ano, instituído pela
Organização das Nações Unidas como Ano Internacional da Mulher,
Bertha integra a delegação brasileira na Conferência Mundial da
Mulher, realizada no México. Era, então, delegada brasileira na
Comissão Interamericana de Mulheres. 1976 – Bertha Lutz falece no Rio de
Janeiro em 16 de setembro de 1976. |
|
| Autora | Livro | Excertos | Bibliografia | Comprar
| |
|