Cartas de Nísia Floresta e Auguste Comte


Constância Lima Duarte
Pesquisa, Organização,
Introdução e Notas
Tradução: Miguel Lemos ( Auguste Comte) Paula Berinson ( Nísia Floresta ) Florianópolis - Editora Mulheres - 2002 - Tiragem Limitada - 102 pág. -

Em 24 de dezembro de 1849, após cinqüenta e dois dias em alto mar, Nísia Floresta (1810-1885) pisava pela primeira vez o solo europeu e, com dois filhos pequenos Lívia e Augusto Américo , chegava em Paris, ainda conturbada pelas revoluções de junho do ano anterior. No Brasil, havia deixado, além dos familiares, um nome que começava a se tornar conhecido, e vários livros publicados, dentre eles Direitos das mulheres e injustiça dos homens (1832), Conselhos à minha filha (1842) e A lágrima de um Caeté (1849). Deixava ainda o Colégio Augusto, que havia fundado em 1838 e já se destacava entre os melhores da Corte na instrução para as meninas. Serão vinte e oito anos em terras estrangeiras, com apenas dois retornos à pátria. Em seu exílio voluntário, Nísia vai percorrer países e mais países, publicar outros livros e, principalmente, relacionar-se com alguns dos principais intelectuais, cientistas e aristocratas do Velho Mundo, como Alexandre Herculano, Antonio Feliciano de Castilho, Luis Filipe Leite, Mazzoni, Azeglio, Giuseppi Garibaldi, Ettore Marcucci, Duvernoy, Parlatore, Braye Debuysé, George Sand, o velho Dumas, entre outros.
Mas, dentre todos estes importantes relacionamentos, o que se tornou mais conhecido foi o que manteve com Auguste Comte, iniciado ainda nesta viagem. Primeiro, ela tomou contato com a filosofia comtiana, pois, em 1851, era uma das pessoas interessadas que afluíam ao Auditório do Palais Cardinal, para assistir às conferências do Curso de História Geral da Humanidade ministradas por Comte, na divulgação de suas teorias. Mais tarde, em 1856, ela se aproxima do filósofo e inicia uma amizade cordial e respeitosa, pontuada de visitas, cartas e de mútua admiração, que vai durar até a morte de Comte, no ano seguinte.
A Editora Mulheres, em seu projeto de resgate da obra de mulheres do passado, julga importante a publicação de materiais de interesse histórico. Este livro acrescenta dados importantes para os pesquisadores da obra da escritora potiguar, sendo esta a primeira edição do conjunto das cartas..

[da Apresentação de Constância Lima Duarte]

 
 

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