Uma Colônia no Brasil

Madame van Langendonck

Apresentação
Zahidé Lupinacci Müzart

 

Uma intrépida belga possuída, desde a infância pelo desejo de vivenciar a floresta virgem, eis aí a heroína dessa aventura. Uma ilustrada dama, já com livros de poesia publicados, com mais de sessenta anos, abandona, em 1857, sua culta Europa pelas selvagens matas do Rio Grande do Sul para aí construir uma nova vida. O resultado: uma narrativa que traz uma bela aventura, contendo até alguns lances fantásticos como seus encontros com cobras, tigres, indígenas e com os próprios emigrantes. Numa época em que as mulheres se contentavam, em geral, com a vida familiar e que as sexagenárias ficavam de preferência ao pé do fogo costurando e bordando, a corajosa Madame van Langendonck prefere tecer sua história e atira-se para o Brasil em um navio de emigrantes. Além da coragem demonstrada, era também uma mulher muito inteligente e perspicaz e suas conclusões a respeito do que viu e ouviu nessas paragens, suas idéias a respeito da imigração tornam essa narrativa bem singular. Não apresenta muitos preconceitos de raça ou classe e demonstra singular compreensão da vida dos escravos e da exploração dos brancos. Colocando-se , no entanto, na posição de européia, mesmo que demonstre respeito para com a cultura nativa, não escapa, evidentemente a uma visão colonial. Seria exigir demais de uma respeitável e idosa senhora!

As narrativas de viajantes mulheres, se comparadas com os viajantes homens apresentam um tom mais íntimo. Nos escritos de mulheres, temos inúmeras observações sobre as casas, os interiores, os sentimentos, o modo de vida, como as pessoas pensavam, o que desejavam. Tudo isso faz com que tais narrativas, trazendo essa história miúda apresentem grande interesse. E em seus diários, há também uma porcentagem grande de diálogos o que faz com que se pareçam mais à ficção, a romances. E encontra-se sobretudo muitas observações que podemos chamar de gênero, acerca das mulheres, do viver das "nativas"... Lê-se uma mulher que escreve igualmente sobre outras mulheres. Mulheres exóticas. Mulheres não tão brancas, mulheres negras, índias. E a curiosidade acerca do que pensam essas mulheres , como agem, como vivem, permeia as descrições. A isso não escapa Mme. Van Langendonck. E seu livro, embora pequeno, traz algumas observações muito interessantes sobre o viver das mulheres, em especial das emigrantes, detendo-se sobre as diferenças entre os provenientes dos vários países europeus como os alemães, os holandeses, os franceses. Todos a braços com o difícil domar de uma floresta virgem nos isolados rincões da então Província de São Pedro.

Autora | Uma Colônia no Brasil |  Introdução |  Poema |  Carta ao Imperador |  Primeiro Capítulo |  Comprar | Imprensa