Lésbia

Júlia Lopes de Almeida

 

Crítica


Délia não perdeu a preocupação antiga da literatura brutal. Os temperamentos fortemente obscenos continuam a tentá-la; mas a sua pena, apesar disso, permanece incolor, inexpressiva, completamente ausente da veemência que poderia resgatar o erotismo desbragado das suas heroínas.

Araripe Jr., Movimento literário do ano de 1893.

 

Tornou-se uma espécie de Zola de saias, deixando na Lésbia, o seu melhor trabalho, o cunho da escritora que diz convicta o que sente e não se arrepende do que assevera. Daí, a nobreza da frase, a firmeza da pena

Inês Sabino, Mulheres Illustres do Brazil. 1899.

 

O Rio Grande do Sul tem sido fértil em poetisas: as prosadoras, porém, são muito mais escassas, e dentre elas Délia se destaca pela sua feliz observação, pela apurada roupagem da frase, pela perfectibilidade do seu trabalho.

Andradina de Oliveira, A mulher riograndense - I série: Escritoras mortas. 1907

 

...o temperamento de Maria Benedita, conhecida pelo pseudônimo de Délia, era mais sensível, mais agudo [do que o de seu esposo], derramando-se torrencialmente na composição de figuras insatisfeitas, perseguidas pela obsessão da casuística ou da prática amorosa. Não deixou, porém, apesar de ter produzido bastante, maior lembrança de sua passagem pela ficção, em parte porque o ar despachado de sua prosa, os assuntos mais crespos em que se gastou, os títulos de seus livros, tudo contribuiu para afugentar os leitores pudicos, as almas cândidas, os corações brandos.

Guilhermino Cesar, História da Literatura do Rio Grande do Sul. 1955.

 

Cultora extremada do gênero realista no romance.

Ari Martins, Escritores do Rio Grande do Sul. 1978.

 

As personagens de Délia terão ainda certa consciência política e social, notadamente com relação ao problema da escravidão, a que se opõem com ênfase.

Nanci Egert, Introdução a Celeste. 1988.

 

 É interessante observar que a pecha pelo obsceno parece ser uma prerrogativa da autoria masculina (...). É sintomático, portanto, que Délia seja condenada por ser uma escritora que “não perdeu a preocupação antiga da literatura brutal — os temperamentos fortemente obscenos continuam a tentá-la.”

Rita Terezinha Schmidt. Cultura e dominação. Letras de Hoje, 1997.

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