Itinerário de uma viagem à Alemanha

Nísia Floresta 

 

Crítica

 

 

Sentimos vivo prazer em anunciar a chegada da Sra. D. Nísia Floresta Brasileira, tão conhecida entre nós pela sua inteligência e ilustração; tão respeitada pelo seu longo magistério, há 16 anos, empregado com desvelos na educação de suas patrícias; e tão louvável e digna de nossa admiração por sua dedicada constância ao amor e ao engrandecimento de sua pátria.

Joana Paula Manso de Noronha, Jornal das Senhoras, 22 de fevereiro de 1852

 

Outro livro, e de viagem, não de outra imperatriz, mas de uma senhora patrícia nossa. Trois ans en Italie é o título, veio-nos da Europa onde se acha a autora, a Sra. Nísia Floresta Brasileira Augusta.

Machado de Assis, 10 de julho de 1964

 

O opúsculo em português, além de revelar-me que eu sabia indiretamente mais uma língua, inspira-me sólidas razões para esperar se torne a nobre dama, sua autora, dentro em breve, uma digna positivista, suscetível de alta eficácia para nossa propaganda feminina e meridional.

Auguste Comte, Carta a Pierre Laffitte, 30 de setembro de 1856

 

Olhando para a política do seu país ainda escravocrata, em 1842, tentou umas conferências públicas que aliás foram concorridas pelo que de mais seleto havia. Saíam daí deslumbrados não só pela presença agradável da jovem senhora, como pela audácia da sua inteligência de primeira água e ainda mais... um horror para aquele tempo!... por ousar a ilustre dama falar em abolição e em federalismo.

Inês Sabino, 1899

 

Chamá-la a George Sand brasileira não seria apropriado, embora entre ambas houvesse grandes pontos de contato. Mas Nísia Floresta em nosso ambiente social e literário teve, sem dúvida, atuação que lembra a da grande escritora francesa, para quem “o escândalo era o único meio de esbofetear a sociedade”.

Barros Vidal, ca. 1934

 

Nísia Floresta não se limitou a ser apenas a precursora do feminismo no Brasil, mas também na América do Sul.

Roberto Seidl, 1938

 

Floresta tinha o mérito de ser desinteressada no seu feminismo: não tinha empregos em mira, não pretendia prestígio político visando arranjos para os parentes: não se batia pela elevação social da mulher como um pretexto para se fazer notar, para obter gordas comissões na Europa, ou cadeira de deputado. Era verdadeiramente um idealismo são que lhe inspirava a luta pela educação da mulher e pela extinção de sua inferioridade.

Adauto da Câmara, 1941

 

Nísia Floresta lançou a pedra fundamental do grande edifício da liberdade feminina no Brasil.

Fernanda Brito, 1971

 

Espírito moderno e emancipado, ela tomava posição contra os espartilhos e contra a escravidão, preconizando o aleitamento materno, e a educação física das moças.

Wilson Martins, 1977

 

Nísia Floresta coloca-se contra a escravidão dentre outros motivos pela influência maléfica que ela exercia sobre a família brasileira, seja através do contacto com a raça degenerada pelo cativeiro, como da indolência que resultava da dependência do trabalho escravo.

Maria Lucia de Barros Mott, 1988

 

Perseguições políticas, o fracasso do casamento e a morte violenta do pai foram experiências dolorosas que a amadureceram cedo, predispondo-a a acionar sua invejável capacidade para o trabalho, colocada à mercê da causa feminina, da educação e dos princípios liberais.

Hilda Agnes Hübner Flores, 1989

 

É fácil para nós agora compreender porque Nísia Floresta foi um “escândalo” na sua época, o esquecimento a que foi relegada e a resistência dos próprios contemporâneos em considerá-la uma escritora e de valor.

Constância Lima Duarte, 1989

 

Cem anos depois, a experiência de Nísia Floresta como pedagoga e escritora, como sujeito comprometido com a produção do significado, da representação, e da representação de si mesma, pode vincular-se com o projeto da teoria feminista. A obra de Nísia Floresta teoriza a prática política de uma específica realidade social, e rearticula essa realidade sob o prisma da experiência histórica das mulheres.

Peggy Sharpe, 1989

 

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