Peregrinações de uma pária

Flora Tristan

Crítica

 

Muito injustamente, ela permaneceu muito tempo conhecida na História só como a avó de Paul Gauguin.

Edição Maspero, 1979

 

Flora Tristan e Bettina Brentano foram as primeiras reporters da miséria.

Michelle Perrot, 1985

 

A vida de Flora Tristan (1803-1844) é um resumo das chagas sociais que podem marcar uma mulher: bastarda, mal casada, mãe de três filhos que lhe foram arrancados quando desertou do lar conjugal, perseguida pela polícia e pelos credores, exilada na Inglaterra, no Peru, a autora das Peregrinações de uma pária (1838) e das Promenades dans Londres (1842) viveu a crueldade dos homens e das instituições. A doutrina que pregou até a morte em 1844 anunciava numerosas idéias desenvolvidas mais tarde por Marx: "Trabalhadores, sou irmã de vocês em humanidade."  

Dominique Rincé e Bernard Lecherbonnier, 1986.

 

Quatro personagens marcaram de modo determinante o pensamento feminista: Prosper Enfantin, Charles Fourier, Flora Tristan e Louise Michel

D. Rincé / B. Lecherbonnier, 1986.

 

Pária: uma metáfora da exclusão das mulheres.

Eléni Varikas, 1988.

 

A solidariedade com os oprimidos encontra um início de realização na ação social de Flora Tristan que organiza o mundo operáriodurante sua viagem pela França.

Stéphane Michaud, 1991.

 

A publicação em 1839 de Promenades dans Londres de Flora Tristan e em 1843, a de Ce livre appartient au roi, assinado por Bettina von Arnim, testemunham ao mesmo tempo da dimensão européia de uma literatura escrita por mulheres ligando-se à atualidade social mais imediata e das transformações profundas que daí decorrem em consequência.

Stéphane Michaud, 1991.

 

A suspeita pesa sobre os deslocamentos das mulheres, sobretudo as mulheres sozinhas. Flora Tristan que, durante sua volta à França, sofreu deste opróbrio, escreveu o opúsculo Nécéssité de faire un bon accueil aux femmes étrangères, (1835), em que preconiza a formação de uma sociedade a fim de assisti-las. M. Perrot, 1991.

 

Seria necessário percorrer o espaço público ocidental, urbano sobretudo, observando, como o faziam os viajantes do século XIX - Tocqueville, Flora Tristan, Vallès... -, como aí se reencontram os homens e as mulheres, a vontade de segregação sendo constantemente contrariada pelas circulações espontâneas.

G. Duby/M. Perrot, 1991

 

Para Flora Tristan, já se esboçava um processo que só agora está se explicitando com todo o seu vigor: a multiplicação de mediações entre a esfera pública e a privada, o estabelecimento de uma articulação cada vez mais cheia de sutilezas entre poderes que se "legitimam" e sentimentos íntimos que os aprovam ou rejeitam.

Leandro Konder, 1994

                                              

 

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