D. Narcisa de Villar

Ana Luísa de Azevedo Castro

 

Excertos

Ao Público

 

 

    Não é um prólogo que vou escrever: sempre embirrei com eles, e jamais me recordo de os haver lido, por breves que fossem.

    Porém, dando publicidade a um de meus escritos, vencendo, enfim a extrema timidez de o fazer conhecido do público, vou rogar a benevolência daqueles que me lerem como um discípulo que se quer instruir. Sem essa vaidade, tão mal cabida em algumas de meu sexo que, compondo alguma coisa, julgam-se poetisas consumadas, eu tanto mais ganharia com o juízo sensato de pessoas de critério, quanto o desprezo com que olhassem para as minhas pobres linhas ser-me-ia prejudicial.

    Assim, pois, é com a maior humildade que me apresento a vós, benévolo leitor, rogando-vos animeis com o vosso acolhimento a primeira produção de meu espírito. Se realizardes as minhas esperanças, fareis desenvolver o meu talento, que se aniquilará até a última centelha com o vosso desapreço.

   D. Narcisa de Villar foi escrita quando apenas tinha eu 16 anos: merece portanto que desculpeis a mediocridade da linguagem e a singeleza com que decorei as cenas.

    A Delphina de Madame Staël[1] não é sem defeitos, e entretanto ela foi recebida em Paris com estrondoso acolhimento, assim como a tímida e ingênua Clara d’Alba por simples que é de atavio, não deixou de ganhar à boa Madame Cottin,[2] um nome ilustre na república das letras.

    Permiti-me contar que fareis também com que um dia seja tão favoravelmente acolhido, por seus compatriotas, o humilde e grato nome com que subscreve os seus ainda mais humildes escritos a   

                                                                                               Indígena do Ypiranga 



[1] Madame de Stël (1766-1817)- Germaine Necker, de nacionalidade suiça, nasceu em Paris em 1766. Filha do financista Jacques Necker, casou-se com o barão de Staël- Holstein, embaixador da Suécia em Paris. Em 1802, publicou o romance Delfina, cujo sucesso a tornou célebre. Romance sentimental, traz também muitas páginas sobre temas políticos como o divórcio, a guerra civil e a religião. Mme. de Staël é mais conhecida hoje por seus ensaios críticos como "Da Alemanha" cuja influência foi decisiva para a evolução do Romantismo francês mas tem obra vasta e importante. (N. E.)

[2] Marie Risteau Cottin (1770-1807) - Escritora francesa. Casou-se muito jovem com um banqueiro. Porém, tendo ficado em situação financeira precária, recorreu, para sua subsistência, ao produto da venda de suas obras. Publicou vários romances, entre os quais Clara D'Alba, 1799; Malvina, 1801; Amélia de Mansfield, 1803; Matilde,  1805 e Isabel, 1806. (N. E.)

 

 

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