A Família Medeiros 

JÚLIA LOPES DE ALMEIDA. A Família Mediros. 496p. 2009.
Introd. Norma Telles, orelha Luiz Rufatto. R$ 54,00

    

INTRODUÇÃO

    A família Medeiros foi o primeiro romance de Júlia Lopes de Almeida, publicado em 1893, tendo aparecido anteriormente em folhetim na Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro, entre outubro e dezembro de 1892. Margarida Lopes de Almeida, filha da romancista e ela mesma artista, poeta e declamadora de renome, em palestra de 1962, sintetizou bem o livro, ao dizer que é “acompanhado pela sombra negra dos escravos açoitados e pelos clarões vislumbres de uma liberdade que se aproximava”,  centrado em problemas do campo e da agricultura que a autora pôde observar de perto e conhecer através de conversas com o irmão agricultor.
    O enredo trata da vida cotidiana, no interior de São Paulo, no final do século XIX, de escravos e da transição para o trabalho assalariado, “no drama das geadas, das secas e das enchentes, na tragédia das pestes, dos infelizes atacados da morféia”, e, também, como tantos outros livros de D. Júlia, como era conhecida por seus contemporâneos a respeitada escritora, focado nas questões de gênero e no papel da mulher na sociedade de então. A escritora portuguesa Guiomar Torrezão escreveu, na época, que este grande livro poderia ser comparado com A cabana do pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, marco na campanha pela abolição da escravidão na América do Norte que considerou a escritora uma benemérita da humanidade. Se tal não ocorreu, continua Torrezão, deve-se unicamente à língua em que foi escrito e que não tem grande difusão mundial. Uma coincidência entre o livro da americana e o da brasileira é o nome da personagem Eva, o que talvez não seja um acaso, mas uma alusão àquela abolicionista, cujo romance, tornado peça de teatro tivera suas apresentações proibidas em São Paulo naquele final de século.
    O livro sobre os Medeiros obteve sucesso e deu inicio à carreira daquela que seria a escritora mais conhecida do Brasil no início do século XX. Romancista, contista, jornalista, dramaturga, as obras de Júlia Lopes de Almeida vendiam bem, algumas tiveram inúmeras edições e em sua longa e profícua carreira escreveu mais de vinte  livros. Tornou-se também conhecida em Portugal e, mais tarde em torno de 1917, foi homenageada em Paris, como recorda sua filha Margarida na memória que traçou. Jornalista, manteve por quase trinta anos uma coluna em O País, jornal de prestígio, e escreveu também em várias outras publicações de então, como Gazeta de Noticias, Gazeta de Campinas, Kosmos, Revista do Brasil, A Mensageira. Nessas publicações, escrevia sobre temas contemporâneos e fazia campanhas para modernizar a cidade, os hábitos das famílias; pelo embelezamento dos locais públicos, pelo plantio de hortênsias na estrada para Petrópolis, pela implantação de exposições e cultivo de flores; pregava a paz, pois foi sempre pacifista, e pelos
direitos das mulheres. Participou de inúmeras associações cívicas, das reuniões feministas internacionais; fez palestras, escreveu livros infantis e didáticos, preocupou-se sempre com a educação das crianças, das mulheres, da sociedade.
    O romance que aqui se reedita transcorre em Campinas e arredores, cidade onde a autora morou durante sua infância e juventude. É, aliás, seu único livro ali ambientado e tem um caráter quase etnológico no cuidado ao anotar os detalhes de costumes e usos das gentes paulistas da época e dos conflitos e rebeliões que então ocorreram. Esse mesmo cuidado, anos mais tarde, será dispensado em Cruel Amor, de 1911, à vida dos pescadores da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, quando ali começam a se instalar interesses econômicos e uma corrida imobiliária, ou em Correio da Roça, em 1913, ao detalhar como tornar uma pequena propriedade agrícola rentável através de produção e trabalho racional. Além do enredo romanesco, esses livros tornam-se assim documentos preciosos para o leitor atento e interessado por essas décadas de intensas transformações no Brasil. É preciso também notar a habilidade da escritora ao entrelaçar peripécias romanescas com descrições mais realistas que formam como que um pano de fundo para retratar a luta pela abolição, no caso presente, sem nunca se tornar maçante, o que torna a leitura instigante e agradável.
    A família cujo sobrenome forma o título do livro é constituída pelo coronel Medeiros, um senhor às antigas, escravocrata, dono de muitos negros e muitas terras; de uma esposa jamais nomeada, sendo referida somente como a mãe silenciosa e boa dona-de-casa; de duas filhas jovens, uma já com casamento acertado por ele e de um filho, Otávio, supostamente mais livre das imposições do patriarca que volta abolicionista e progressista, depois de um período de estudos na Alemanha. Quando do regresso, se choca, porque na fazenda tudo continuava igual, tanto os móveis quanto as pessoas. No entanto, o grande elemento de conflito e discordância, no romance, não será este filho de idéias mais liberais e sim uma sua prima que desde a morte do pai, irmão do coronel, fora morar na fazenda. O rapaz se espanta ao encontrá-la, pois sempre soubera que os irmãos não se davam, há anos estavam rompidos. Logo se inteira que no último momento o pai de Eva tentara uma aproximação com o Coronel Medeiros e lhe recomendara a filha. A briga entre os irmãos envolve um crime misterioso que é um dos fios condutores da história.
    Eva provoca no tio a mais viva, sincera e irrestrita antipatia; além do mais, o coronel desconfia dela, chega mesmo a pensar que não passa de uma espiã dos abolicionistas colocada ali para enviar-lhes informações sobre sua escravaria, as condições e andamentos da propriedade. Otavio, nem é preciso dizer, vai se encantar pela prima cheia de idéias e ações próprias. Mas não será amado por essa moça instruída e rebelde que tivera uma educação invulgar, falava várias línguas, era instruída sobre plantações e cuidados com a terra e que administrava uma fazenda onde a força de trabalho era livre. Além do mais, separava sempre parte de seus rendimentos para comprar alforrias de cativos.
    Eva é uma personagem afirmativa, otimista, moderna que em determinado momento da história começa seriamente a pensar em casar-se, não importa com quem, pois percebera a necessidade de ter um nome de homem para protegê-la; mesmo encarando tal casamento como algo ruim, que cerceia a liberdade, a personagem cogita sujeitar-se às imposições sociais para facilitar sua vida. Mas é salva deste destino insosso e desinteressante pela autora que, depois de inúmeros desencontros e peripécias, vai casá-la com um homem seu igual em educação e ideais.    
    A trama se desenrola em torno do misterioso assassinato do passado que, de algum modo não se sabe qual, envolve o patriarca dos Medeiros e o irmão e de revoltas de escravos, fuga de quilombolas. Há também segredos a serem decifrados, perseguições injustas, discussão constante sobre o tipo e tamanho da propriedade agrícola ideal quando a autora se posiciona contra a grande propriedade escravista. Há também o linchamento de um juiz, uma revolta e fuga de escravos tensa e perigosa pela serra tomando rumo de Cubatão e dos quilombos paulistas. Nesse entrecho, a autora aproveita para, em nota de pé de página, homenagear Antônio Bento, a quem os fazendeiros escravistas abominavam, mas que, para Júlia Lopes de Almeida, é um nome glorioso, um homem “denodado, o grande abolicionista de São Paulo” alvo de injúrias e acusações inverídicas e que depois da abolição recebera a gratidão popular.
    Antônio Bento, seguindo a Luís Gama, radicalizara em determinado momento a campanha pela abolição, introduzindo novas formas de agir, organizando fugas bem planejadas, quilombos e modos de inserir os que fugiam no mercado de trabalho. Os abolicionistas legalistas, mais moderados, se opunham a estas ações, pois desejavam que a ordem fosse mantida até a decretação da liberdade total.  Se por um lado as ações de Antônio Bento e dos caifazes provocaram o endurecimento das atitudes dos escravistas, por outro criaram reações cada vez mais audaciosas a sua propaganda, sistematizaram formas de protesto e organizaram fugas maciças a tal ponto que os fazendeiros, como se pode ler neste romance, já admitiam não ter mais como conter fugas e insubordinações. A autora descreve com detalhes e emoção uma ficção desses movimentos, tanto a ação dos legalistas e a reação dos fazendeiros a ela, quanto as ações dos caifazes de Antônio Bento.
    Otávio chega à fazenda, onde a família não se encontra, em meio à rebelião e fuga dos escravos. É ferido por um tiro e deixado sobre uma cama, dado como morto. Seu ferimento enseja o surgimento em cena de uma personagem muito forte, sua ama de leite, sua mamã, a única pessoa que se alegrara com sua volta, a negra Joana. Contraposta à figura da mãe biológica que no romance não tem nome ou fala ou ação além das prescritas socialmente, a mãe-negra tem nome e age. Soubera por uma comadre, Joaquina, que o jovem Medeiros fora ferido e que seu filho verdadeiro fora preso e seria castigado por conta da rebelião. Velha, paralítica, ela sobe no carrinho do jardineiro e solicita à companheira de cativeiro que a leve até a casa grande onde, após ser levada até o alto da escadaria, entra casa adentro, 

[...] a “mamã” de Otávio, a pobre negra velha, que ia como um réptil, com o ventre encostado no chão, as pernas mirradas pela paralisia, pondo nas mãos engelhadas toda a sua atividade, estendendo ora um braço, ora outro, encarquilhando os dedos nas gretas das tábuas, quebrando as unhas, rasgando as roupas, arranhando as carnes, arfando de cansaço, mas prosseguindo no esforço, até a porta do quarto do ferido, que ela abriu com a cabeça, num desespero angustioso. Mas o corpo do moço estava numa cama alta e a desgraçada não se podia erguer para beijá-lo e vê-lo; extenuada, pôs-se a chamá-lo com uma voz dolorida e débil.

A um movimento do ferido ela se põe a chamar por ajuda. O jovem Medeiros afinal não morrera. A figuração da negra retorcida pela paralisia e dores físicas que mesmo assim salva o rapaz que adora, é um retrato pungente da situação da escrava, aqui uma escrava doméstica, uma antiga ama-de-leite. 
    Ao estudar o mito da mãe-preta na literatura brasileira Sonia Roncador afirma que essa figura não existe na literatura oitocentista nem na abolicionista e uma das causas, aponta a ensaísta, é que naquele momento a higienização médica se impunha à família moderna e não admitia mais amas-de-leite para o cuidado dos bebês, ao contrário, apontava somente os inconvenientes dessas nutrizes que, pensavam, eram grandes transmissoras de enfermidades.  O mito da mãe-preta teria ressurgido mais tarde com os modernistas como uma figura nostalgicamente lembrada por vários escritores, como Lins do Rego ou na sociologia de Gilberto Freyre. Esse mito, acrescenta a estudiosa, disfarçou também a crueldade da prática da maternidade transferida. Para essa reflexão mais geral seria interessante incorporar as escritoras, as mulheres dos oitocentos, várias das quais não retratam com traços idílicos a mãe-negra, bem ao contrário, como pode ser visto no trecho acima de Júlia Lopes de Almeida que retrata a vida de torturas, privações, imobilidade imposta, afetos desviados. Em relação à maternidade transferida a escritora sugere uma hipótese explicativa, que generaliza para todas as outras ‘mamãs’ negras. Sugere que a mãe-preta se afeiçoa ao filho do branco que amamenta, uma “absurda anomalia” escreve, devido ao horror da própria escravidão, pois ao perceber que o próprio filho é destinado à mesma condição indefensável que a sua, ela como suas confreiras em sofrimento, fogem inconscientemente de lhes dedicar ternura vendo-os como futuros parceiros de sujeição que além do mais ainda com muita probabilidade seriam delas afastados. Sobra-lhes então transferir o afeto para a criança branca que acalentam e nutrem e que estão destinados a futuros bem mais promissores. A literatura do oitocentos escrita por mulheres tem outros exemplos de tratamento bem diferenciado daquele dado pelos escritores às mães-pretas e essas ficções podem ser vistas como uma perspectiva diferenciada e ampliadora das idéias daquele período.
    Os conflitos e sublevações transcorrem meio ao cotidiano da fazenda; meio a casamentos, almoços, jantares e viagens pela região, a cavalo ou aproveitando a recém- inaugurada ferrovia que aos poucos irá modificar os antigos costumes do “viajor paulista: grande pala cor de café com leite, riscado de branco, que lhe caia dos ombros arredondando-se sobre as ancas do cavalo, botas até o joelho, esporas de prata, chapéu dasabado e chicote [...].” Nessas andanças cotidianas vão sendo retratados os modos de então, as mesas fartas com fruteiras cheias de compotas variadas, doces, requeijão feito em casa e leite à sobremesa. Os bailes dão pretexto a observações da narradora sobre as mulheres paulistas que se vestem com mais luxo que quaisquer outras no país, com roupas vindas de Paris, e moram mal, em casas sem nenhum conforto ou gosto, “poucos móveis e nenhum objeto artístico”. As mulheres se envolvem em perfumes e toilletes despropositadas, enquanto os rapazes ou homens esbanjavam seus enormes lucros do café com o jogo, mulheres e extravagâncias de toda ordem. Aqui e ali surgem indícios de mudança nesses comportamentos, mas o processo será lento, segundo a narradora do romance. E a estrada de ferro é um dos fatores de mudança, abrindo novas zonas de povoação às margens das quais ainda podiam ser vistas colônias de leprosos.   
    Festeja-se também com reunião de parentes e amigos a introdução de máquinas novas para a produção agrícola. Uma das ocasiões como esta se apresenta no livro quando da inauguração de uma máquina “paulista” para beneficiar café, da firma Lidgerwood. Esta firma teve sua primeira loja nos Estados Unidos e logo a Lidgerwood Manufacturing Company Limited instalou-se em outros locais como a Escócia e, em 1862, no Rio de Janeiro. O depósito de instrumentos agrícolas de Campinas data de 1868, é uma construção em estilo neogótico vitoriano, com tijolos aparentes e esquadrias de janelas e guarnições de portas externas em ferro fundido, que funcionou até 1922. Recentemente, em 1999, foi restaurada pelo Condepacc e agora é o Museu da Cidade.
    A máquina nova é americana, assim como o personagem do médico mediador no romance; a estrada de ferro é inglesa e a governanta das jovens Medeiros é alemã. Por volta de 1890, a influência isolada da Grã-Bretanha como única potência mundial já ficara para trás e, como se percebe pelos vários personagens, outras influências se insinuam. Os alemães estavam em São Paulo há algum tempo, desde 1840-50 quando vieram como colonos em regime de parceria para fazendas de café. Essas tentativas fracassaram sendo que uma delas, a de Ibicaba do senador Vergueiro, que trouxera colonos alemães, belgas, suíços, ao todo 177 famílias, em 1847-57, acabara em um grande conflito o que fez com que o governo alemão, em 1859, proibisse a imigração para o Brasil. A situação de falta de mão-de-obra em São Paulo torna-se aguda depois de 1870 e mesmo a transferência de escravos de outras regiões não dá conta de atender a expansão da fronteira agrícola. A fixação do imigrante é diferente, o que se denomina “imigração subvencionada”, e a colonização, o sistema de colocar imigrantes em pequenas propriedades agrupadas em núcleos, tendeu a desaparecer totalmente  no estado.
    A adoção do assalariamento afastou muito o descontentamento anterior de parte a parte e onde predominava a grande propriedade, especialmente em São Paulo, nunca se cuidou em escala apreciável da organização de núcleos de pequenas propriedades, exatamente a organização pela qual Júlia Lopes de Almeida demonstra maior simpatia em vários de seus livros e como se mostra na fazenda de Eva, a personagem sobrinha do coronel Medeiros, moderna em seus métodos e com uma casa que parece um cottage inglês, elegante e discreta, ao contrário das casas-grandes sem conforto ou beleza. O romance denuncia a péssima condição oferecida aos colonos que viviam como os escravos, senão em situação ainda pior, e, com isso, iam desanimando e queriam desistir do trabalho, englobando, assim, o que fora preponderante em momento anterior para mostrar os desacertos e causas do fracasso das pequenas propriedades.
    No final do século a influência alemã ainda se fazia sentir, o jovem Medeiros estuda engenharia na Alemanha e volta mais liberal e abolicionista, embora não um lutador em prol da abolição. Essa influência também se faz sentir através da idéia de agricultura familiar, da bagagem esportiva dos imigrantes, de vida associativa. No entanto, a “via prussiana” então era conservadora, isto é, preservava antigas estruturas de propriedade e trabalho nos campos associadas ao surgimento da indústria. Preservava a agricultura tradicional associada à produção mercantil controlada pela mão de ferro do estado. Esse modelo que angariou simpatias de vários escritores, não é o predileto da escritora. A personagem da governanta, Frau Gruber, é culta, inteligente e dedicada à educação das pupilas, mas não se envolve em outros assuntos, o que não acontece com o médico americano, por exemplo, que tem opinião formada sobre todos os assuntos possíveis ou com ingleses ou mesmo os proprietários rurais nativos, cada qual representante de um estrato social.
    A fazenda exemplar, ideal, é a de Eva e segue o modelo inglês. Desde os tempos do pai da moça, era uma fazenda sem escravos e ele ali gastara parte de sua fortuna para adequá-la a um funcionamento racional. Com mão-de-obra assalariada vivendo em uma colônia bem montada a fazenda se tornara modelo. O comentário do narrador é que esse tipo de organização gerava menos lucros do que as grandes fazendas tradicionais de café,: “o trabalho dos colonos é duro, e era em todas as outras fazendas mal retribuído. Só ali encontrara certas vantagens que lhe permitiam viver à farta e ainda guardar todos os anos algum dinheirinho”, a prazo longo, no entanto, a racionalização e a modernidade, a harmonização de capital e trabalho, demonstrariam suas vantagens. Na propriedade moderna ideal deve habitar uma família moderna ideal e por isso Eva, “altiva, desafiadora, fria, orgulhosa, inacessível”, como Otavio Medeiros pensa dela ao avistá-la na fazenda do pai e por quem se apaixona, sem nunca ser correspondido, encontra o parceiro ideal, um irmão em idéias, educação e ideais, para juntos tocarem a fazenda e implementarem a modernização. A modificação da família tradicional e do papel da mulher dentro dela é tema constante de Júlia Lopes de Almeida que entende que cabe à mulher o papel de mãe e esposa perfeitas, de fator de educação e modificação, pois encara a necessidade de educação feminil como centro de problemas sociais, políticos e econômicos. Mas essa apologia do anjo do lar não é isenta de tensões que surgem, algumas vezes de forma quase imperceptível, em personagens atormentadas ou torturadas como a mãe preta deste romance sobre a família dos Medeiros.
    O estilo simples e direto da autora, o cruzamento de vários recursos narrativos, o andamento do romance, a tensão entre casamento arranjado e família à antiga versus casamento moderno, por escolha e afinidades, além dos temas apontados acima, são elementos que sobressaem em meio à história tornando-a ainda mais envolvente. A transformação da mulher frívola sem educação ou cultura, ou da dona-de-casa tarefeira e muda, como a esposa do Coronel Medeiros, em mães de famílias saudáveis e esposas felizes, presidindo famílias dedicadas ao trabalho honesto e ao cultivo das artes, é um tema que Almeida trabalhou a vida toda, nos romances, nos ensaios ou crônicas ou em palestra. Acrescem-se a ele outros tantos traços expostos acima e o resultado é um dos romances mais interessantes de Júlia Lopes de Almeida, sem dúvida, uma escritora marcante da literatura brasileira.

                                                           Norma Telles

 

                                                   

 

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