O Florete e a Máscara

Valéria Andrade Souto-Maior

 

Apreciação Crítica

Maria Thereza Caiuby Crescenti Bernardes

Caio Prado Jr., em sua Evolução Política do Brasil, considera o século XIX, sobretudo em sua segunda metade, uma época das mais interessantes para quem deseja, através da História, obter um conhecimento mais profundo da atual sociedade brasileira. A complexidade de contrastes que observamos hoje, no Brasil, pode ser explicada em grande parte, pelo processo de transformação parcial de todo o país, desencadeado naquela época.

Uma forma de aprimorarmos o conhecimento sobre esse período histórico é, sem dúvida, o contacto com sua produção literária, na qual a dramaturgia é uma de suas manifestações mais expressivas.

Com essa perspectiva podemos ler o presente estudo de Valéria Andrade Souto-Maior sobre a jornalista, escritora e dramaturga Josefina Álvares de Azevedo e sua comédia O voto feminino. Levada ao palco pela primeira vez, no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1890, no Teatro Recreio Dramático, repercutiu em Paris, onde a revista Le droit des femmes se prontificou a traduzi-la para suas leitoras.

A autora da pesquisa soube explorar uma trabalhosa e bem cuidada bibliografia e imprimir um sentido de profundidade em sua dissertação ao apresentá-la dentro de um plano em três dimensões:

- visão geral da dramaturgia feminina do século XIX, no Brasil;

- traços biográficos de Josephina Alvares de Azevedo;

- análise literária da comédia O voto feminino.

Ao resgatar a figura de Josephina Alvares de Azevedo e sua obra teatral, a contribuição de Valéria Andrade Souto-Maior torna-se indispensável para o conhecimento de nossa História e nossa literatura principalmente quanto à reivindicação dos direitos da mulher brasileira no século XIX.

 

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