O Florete e a Máscara 

VALÉRIA ANDRADE SOUTO-MAIOR. O florete e a máscara: Josefina Álvares de Azevedo, dramaturga do século XIX. 2001. 160 p. (Tiragem: 500 ex.)

A comédia O Voto Feminino, de autoria da jornalista e dramaturga Josefina Álvares de Azevedo (1851-?), centraliza a proposta deste ensaio: mostrar que, embora ausente das histórias do teatro brasileiro, a dramaturgia de autoria feminina existiu no Brasil do século XIX, tendo servido, muitas vezes, como protesto contra a injustiça social de que as mulheres eram alvo – e não apenas como válvula de escape do confinamento em que viviam. Montado em três níveis, o ensaio inclui uma visão geral da produção dramatúrgica das mulheres, seguida da apresentação da trajetória de vida da escritora (com ênfase em sua obra jornalística e sua militância pelos direitos femininos) e, por fim, de uma análise pormenorizada de sua comédia, incluindo a recepção crítica anterior e posterior a sua representação.

Proprietária e redatora do jornal A Família (1889-1898), um dos mais combativos e avançados da imprensa feminista surgida em fins do século XIX no Rio de Janeiro, Josefina Álvares de Azevedo – cujo sobrenome deve-se ao parentesco com o poeta famoso, o ultra-romântico Álvares de Azevedo (1831-1852), de quem era prima – saiu de Recife, sua terra natal, aos 26 anos e dedicou sua vida inteira à luta por condições sociais mais justas e igualitárias para as mulheres brasileiras. Proclamada a República, sua folha ampliou a defesa em prol da elevação do status feminino, passando a reivindicar o direito eleitoral das mulheres.

Em maio de 1890, sobe ao palco do Recreio Dramático a comédia O voto feminino, que Josefina de Azevedo escrevera no mês anterior, instigada sobretudo pela negativa do governo em incluir a lei do voto feminino no Projeto da Constituição que então se elaborava. Apesar do sucesso da comédia em relação ao uso das técnicas de dramaturgia – seus diálogos têm vivacidade, suas personagens são convincentes, seu humor é afiado e inteligente –, é forçoso admitir sua ineficácia em relação aos seus objetivos, já que as brasileiras tiveram que esperar até 1932, ou seja, quase meio século, antes de exercerem seus direitos políticos. Importa, contudo, reconhecer sua relevância como obra literária que ajudou a abrir as trilhas da dramaturgia de autoria feminina e da justiça social em nosso país.

A comédia, transcrita na íntegra e incluída em apêndice, é entregue à leitura e à avaliação do público leitor de hoje, com o desejo, especialmente, de ajudar a desfazer idéias ultrapassadas (algumas atualmente ainda em vigor), entre elas a de que mulheres não escrevem dramaturgia, esse "gênero difícil"....

 

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