Refúgios do eu

Organização de Maria Teresa Santos Cunha, Maria Helena Camara e Ana Chrystina Venancio Mignot 

 

Introdução

 

Tecendo Educação, História, Escrita Autobiográfica

Ana Chrystina Venancio Mignot

Maria Helena Camara Bastos

Maria Teresa Santos Cunha

Caraminholas, declarou meu avô
apontando o caderno de capa preta
onde minha tia-avó, já velhota e ainda virgem,
escrevia seus pensamentos de mistura
com as anotações dos gastos da casa,
nos espaços entre o preço da cebola e o caixote de sabão.
Confissões sonhadoras feitas com a fina pena de ganso (ou pato)
e com tinta roxa, a cor da paixão.
[1]

Debruçada sobre papéis, a “Rapariga escrevendo” que ilustra a capa deste livro, uma gravura do século XIX, sugere recolhimento e introspecção. O que ela escreve? Que mensagem pretende transmitir? Escreve em um dos “lugares do íntimo” (Ranum, 1991) que fazem parte da esfera do secreto, das coisas do coração? carta, diário, agenda, memória, autobiografia ou uma caderneta de anotações? A quem destina essas palavras? A uma amiga distante ou a um amor que se foi? É mais uma carta que não vai a lugar algum? Anota para seu próprio deleite o transcorrer monótono dos dias ou para comunicar sua conturbada experiência? Registra para encobrir sua solidão ou para expressar seus sentimentos ocultos, confessar sonhos desfeitos, conferir sentido às vivências mais significativas e exercitar a liberdade de construir a si mesma através da escrita? A imagem da “Rapariga escrevendo” sugere que ao se debruçar sobre os papéis ela se debruça sobre si mesma. Inscreve nas folhas em branco sua visão de mundo? Deposita sua vida? Confessa seus medos? Atreve-se a dizer quem é? Confidencia seus segredos? Dá vazão aos desejos mais escondidos de sua alma? Reconcilia-se consigo mesma? Refugia-se revelando-se?

Certamente, essas questões suscitadas pela imagem são reveladoras de uma preocupação que nos vem intrigando há algum tempo em nossas investigações acadêmicas sobre a História da Educação: a importância de textos autobiográficos como fonte de pesquisa. Perscrutando nossas anotações observamos que demos início ao projeto deste livro, em julho de 1999, quando participamos de uma sessão de Comunicação no XX Simpósio Nacional de História, promovido em Florianópolis pela Associação Nacional de História (ANPUH) sob o tema “História/Memória/Educação: as leituras possíveis de documentos pessoais”.[1]

O trabalho de reunir pesquisadores/as igualmente preocupados/as com a temática aos poucos foi ganhando corpo. Entendíamos que seria importante contar com a colaboração de profissionais de distintas tradições disciplinares, pois a educação das mulheres, as mulheres educadas, a escrita feminina, histórias de vida, história dos livros, história da leitura, por exemplo, têm sido objeto de estudo de historiadores, historiadores da educação e pesquisadores da área de letras que incorporam e/ou elegem o texto autobiográfico para análise:

El ámbito autobiográfico conforma un núcleo muy interessante, ya que en un análisis teórico no sólo se entrecruzan y dirimen hoy en dia conceptos literarios, sino nociones que fundamentam el conocimiento occidental: realidad referencial, sujeto, esencia, presencia, historia, temporalidad, memoria, imaginación, mimesis, poder; son algunos de los temas que resulta necessario abordar y cuestionar a la hora de estudiar la autobiografía (Antropos, 1991, p. 5).

Aliás, a escrita autobiográfica não tem fascinado apenas os meios acadêmicos. Em 1998, na Espanha, uma revista feminina de grande circulação conferiu o Prêmio Contradiction de literatura personal.[2] Concorreram 2363 mulheres, que abordaram a partir dessa forma de escritura as inquietações que afligem as mulheres nesta virada de século e milênio. Diferentemente das práticas de memória feminina, pesquisadas por Michelle Perrot (1989), onde as mulheres tinham medo de revelar-se em sua intimidade, nessa escrita de si, as espanholas falaram do corpo, da sexualidade, de amores domésticos e dos não autorizados socialmente. Joana Bonet e Anna Caballé, na análise dos textos, lamentam a limitação até então encontrada para trabalhar a expressão autobiográfica das mulheres, o que dificultava a reconstrução do emaranhado da vida feminina. Entendendo que a escrita autobiográfica cumpre uma função terapêutica, ética e estética, as autoras procuram assinalar a especificidade da atual escritura autobiográfica feminina. Ou seja, quais são os fantasmas que assolam essas autobiógrafas, e que elas precisam esconjurar? Estabelecendo comparações com as autobiografias masculinas, afirmam que diante do

discurso enfático del hombre, bien reivindicando el carácter único del próprio yo, su destino histórico, su grandeza moral e o valor de su árbol genealógico, las mujeres mantienen una posiciíon de modesta franqueza en sus autorepresentaciones. Aunque que la puesta en scena del yo há evolucionado mucho: nada queda apenas del recato y del pudor simbolizado en um tocador ahora obsoleto y en vías de decomposición. Las mujeres mantienen un registro antienfático como norma en su escritura, pero las más jovenes hablan abiertamente de todo aquello que las preocupa y, para empezar, el espacio de la intimidad se há sofisticado mucho (Bonet & Caballé, 2000, p. 51).

O balanço da memorialística feminina brasileira já publicada, feito por Maria José Motta Viana (1995), também apontou para as relações entre poder e escritura ao conferir importância a quem não escreve, ou melhor, quem não publica o que escreve. Esses livros são de difícil localização. Além de poucos, tiveram circulação restrita, e outros, junto com receitas culinárias, rezas e ladainhas, caderninhos de pensamento, trovas, poemas, maços de cartas, permanecem abandonados em sótãos, ainda não tendo chegado à vitrine. Viana observou que, lançando mão dessa escrita, as mulheres brasileiras abordaram acontecimentos confinados à esfera do privado, eventos políticos, religiosidade, vida mundana. Esquecidos, ficaram perdidos em baús esses textos que hoje tanto interessam aos pesquisadores.

Desde o século XIX, mulheres brasileiras que tiveram acesso à alfabetização tentaram refletir sobre a própria vida, rompendo o silêncio sobre o mundo. Famílias, confessores e educadores estimularam a anotação dos acontecimentos mais importantes do dia, através de diários íntimos e troca de correspondências entre amigas, num projeto de educação dos sentimentos, como assinala Anne Vincent-Buffault (1996). Nesse período, professoras escreviam romances e poemas, publicavam em jornais e revistas, participavam das campanhas abolicionista e republicana. Em prosa e verso, elas expressaram seus sonhos, reclamaram seus direitos, ingressaram em escolas, fundaram associações, assinaram manifestos  (Telles, 1997). Na imprensa, defenderam a elevação cultural da população e das mulheres, reivindicaram igualdade de direitos, melhores níveis educacionais, reconhecimento de profissões, reforma da legislação matrimonial, direito de voto e elegibilidade. Reclamaram até mesmo a exclusividade feminina em algumas profissões, como enfermagem, medicina para mulheres e magistério para crianças (Bernardes, 1988).

Trazer à discussão o universo textual autobiográfico de mulheres constituiu-se numa possibilidade. Em papéis, ou frente à tela do computador, via internet, assim como os homens, mulheres se correspondem com desconhecidos, publicizando o privado, experimentando uma nova prática de escrita íntima e insinuando-se por novos refúgios do eu. Tínhamos, portanto, interesse em analisar não apenas o conteúdo dessas lembranças e as atitudes frente ao mundo reveladas nessa escrita,[3] mas também o modo como os suportes da escrita pessoal foram se constituindo, alterando-se, como mostra o substancial estudo de Jean Hébrard, aqui incluído. Levantando e analisando variadas fontes sobre os suportes dos escritos, o estudo em questão ressaltou as continuidades e descontinuidades das anotações pessoais, do século XVI ao XIX. O inventário léxico e as análises empreendidas apontam para séculos de trabalho paciente, para que a folha e o caderno se tornassem objetos disponíveis para escrituras pessoais.

Nosso interesse pelas fontes autobiográficas resulta de uma compreensão ampliada da noção de documento proposta pela História Cultural,[4] que tem repercutido não só entre os historiadores de formação mas também entre os historiadores da educação brasileira. Nessa perspectiva é importante analisar as tendências da História da Educação com base nos debates historiográficos atuais (Charle, 2000 e Caspard, 1996). Nóvoa, no estudo que faz do estado da arte da História americana da educação a partir da década de 1980, fornece pistas e critérios de análise. Assinala que as perspectivas de pesquisa histórica centram-se não só na materialidade dos fatos, mas também sobre as comunidades discursivas que os interpretam e os inscrevem num espaço-tempo dado (Nóvoa, 1997). Para ele, as preocupações dos historiadores e dos historiadores da educação centram-se em três problemas: a articulação entre teoria e história, o debate em torno da escrita da história e a reflexão sobre a nova responsabilidade social da história. Em relação ao primeiro problema, Nóvoa afirma que existe uma atitude estimulante de ruptura de fronteiras entre diferentes campos científicos, diversificando os suportes teóricos e metodológicos. O alargamento das fronteiras disciplinares é fundamental, buscando em outras áreas a transversalidade com a educação e o ensino. “A ausência de um modelo teórico consensual e a emergência de um espírito científico que tende a privilegiar os espaços disciplinares de fronteira contribuem para o alargamento do repertório metodológico da História da Educação num quadro de mobilização de referenciais antropológicos, culturais, lingüísticos, psicológicos, sociológicos” (p. 16).

Quanto à escrita da história, as novas tendências apontam para o projeto de integrar os aportes literários sem anular, para tanto, o conjunto das práticas nos sistemas discursivos. Assim, insiste-se na necessidade de se articular os textos com os contextos de produção e recepção, através de práticas que permanecem históricas, ou seja, baseadas na (re)produção de sentido através de diferentes espaços-tempos.

A responsabilidade social do historiador se afirma não pelas respostas que ele dá, mas sobretudo pelas questões que ele coloca. A valorização de uma História de problemas permite situar seu compromisso como intelectual hoje: contribuir para o melhoramento da vida de homens e mulheres.[5] Essa outra práxis histórica se caracteriza por um esforço de mostrar a pluralidade de mini-racionalidades que organizam a vida social e o trabalho científico, ou seja, diante da especialização do conhecimento, é necessária a compreensão global dos problemas, não em direção a um sentido único, mas sobretudo na perspectiva de reconstrução de múltiplos sentidos a partir das histórias de que os diferentes grupos são portadores (Nóvoa, 1997, p. 9).

Quanto à História da Educação, Nóvoa a considera parte integrante da história total, devendo conseqüentemente abandonar uma perspectiva institucional estreita, de maneira a integrar o conjunto das dimensões econômica, social e política, além de adotar metodologias e paradigmas científicos, refutando a narração gloriosa de um progresso continuamente assegurado pela escola. Nóvoa considera que a perspectiva sócio-histórica não é suficiente para dar conta da complexidade dos processos de mudança de longa duração e para apreender as permanências profundas e os pontos de ruptura das dinâmicas escolares e educacionais. Ele assinala que atualmente a História da Educação passa a incorporar outros temas e questões: gêneros, dificuldades de aprendizagem, raças, etnias, religiões, culturas locais, o que a conduz a um outro olhar sobre os processos de escolarização e o status do conhecimento, e a novas interpretações das relações individuais e coletivas da educação (p. 16). Nóvoa identifica seis tendências na nova história americana da educação, que expressam uma caminhada

das estruturas aos atores, em direção a uma história experimental e literária; do sistema às escolas, em direção a uma nova história social; do externo ao interno, em direção a uma nova história cultural; das idéias aos discursos, em direção a uma sócio-história do conhecimento; dos fatos aos políticos, em direção a uma história sócio-política; do nacional ao local/global, em direção a uma história comparada (p. 13).[6]

No que se refere mais especificamente à importância das fontes autobiográficas na escrita da História da Educação, Antonio Viñao (2000) destacou não só os diferentes tipos de textos, mas também o modo como eles podem ajudar a compreender aspectos até então pouco explorados. Embora longa, a citação se justifica pela riqueza de possibilidades de usos que apresenta:

Hay asimismo aspectos concretos — el trabajo infantil; la cultura escolar, en especial lo relativo a los espacios y tiempos escolares; la percepción que los profesores y maestros tenían de sí mismos, en cuanto grupo social y profesional y la que los alumnos tenían de ellos; el mundo de la alfabetización y las lecturas, etc. — en los que las autobiografías, memorias y diarios pueden ser utilizadas no sólo para contrastar los discursos, las propuestas teórico-normativas y la legalidad con la realidad y prácticas educativas y escolares — o, al menos, con la vivencia que se tenía de las mismas, es decir, con como fueron vividas —, sino también para ofrecer un número de testimonios suficientemente amplio como para poder extraer de ellos similaridades generales y mostrar, al mismo tiempo, la inagotable diversidad de las vivencias particulares.

La literatura autobiográfica — sobre todo algunas de su modalidades, como las relaciones de méritos y servicios, pero no sólo ellas — es, por último, una de las fuentes básicas para los estudios prosopográficos y, en lo que a la educación se refiere, para el análisis de los procesos de profesionalización docente, academización de los saberes profesionales y generalización del principio meritocrático, así como para el de la génesis y evolución de las disciplinas y curriculum escolares. La relación existente entre la formación y los títulos exigidos a los candidatos a una plaza o puesto determinados, los criterios seguidos para su selección y la evolución de las disciplinas y de sus contenidos — o de las tareas asignadas a unos determinados profesionales — convierten a este tipo de fuentes, como he mostrado en algún trabajo, en los documentos más adecuados — si se maneja un número lo suficientemente amplio de ellos — para conectar la historia de las profesiones con la de la educación y el curriculum.

Se o interesse pela escrita autobiográfica não é original no campo da História da Educação, ainda é suficientemente novo, justificando a reunião, exibição e discussão de alguns trabalhos. A esse respeito é de fundamental importância ressaltar os contínuos estudos realizados pelo GEDOMGE (Grupo de Estudos Docência, Memória e Gênero), que sob a coordenação de professoras da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP)[7] reúne professores e professoras da rede pública do estado de São Paulo e alunos da FEUSP. Esse Grupo, desde o início da década de 90, tem se dedicado a discutir e propor modos de análise e intervenção no domínio da produção em História da Educação Brasileira e da pesquisa acerca da formação de professores. Temas relacionados à memória e história da profissão docente vêm sendo constantemente explorados em seminários e publicações patrocinados pelo GEDOMGE, do ponto de vista de suas considerações individuais e coletivas (Sousa et alli, 1996, p. 61-76, 1997 e 1998), que se constituem em pontos de referência para os estudos da área.

Os textos aqui reunidos pretendem ampliar possibilidades de utilização da escrita autobiográfica na escrita da História da Educação Brasileira. Com múltiplas perspectivas teóricas e questionamentos metodológicos, e sempre borrando fronteiras entre campos do conhecimento, uns estão mais preocupados em investigar o significado da vida das mulheres na educação, outros privilegiam o significado da educação na vida das mulheres: o “olhar estrangeiro” de uma educadora alemã no período do Império contido numa ampla correspondência com uma amiga; as autobiografias e memórias de mulheres que evidenciam o quanto as leituras foram importantes na formação de diferentes gerações; o arquivo de uma professora que convida a pensar sobre as práticas de memória docente; as mulheres que escrevem díários inscrevendo cotidianamente a própria existência, em cadernos escondidos ou na internet, tecendo assim, na rede, uma nova rede de sociabilidade; as jovens que nas agendas escrevem fragmentariamente, em códigos, buscando uma identidade própria; ou adolescentes que falam de si mesmas sem os antigos pudores, em cartas trocadas. Letras desenhadas ou anotações mais rápidas, sintéticas. Cifradas. Escancaradas. Entrecortadas. Do nordeste ao sul, mulheres potiguares, gaúchas, cariocas, catarinenses, mineiras, paulistas, em diferentes espaços, tempos e estações da vida,[8] registraram, sufocaram ou exibiram suas formas de ver o mundo. Falam do desconhecido, do cotidiano, de lembranças familiares, de suas leituras, dos sonhos pessoais e profissionais, de política, da escola, de religiosidade, de inquietações com o futuro, da sexualidade e dos amores, revelando muitas vezes os mecanismos ocultos da educação familiar ou escolar que conformaram os gostos, as escolhas, os gestos, as sensibilidades. Construídas por instituições e discursos, as autobiógrafas os constróem também pela escritura, em diversos suportes da escrita pessoal.

Agradecemos a Ana Canen, Jean Hébrard, Libânea Nacif Xavier, Lilian Maria de Lacerda, Margarida de Souza Neves, Maria Arisnete Câmara de Morais, Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo, Tânia Regina Oliveira Ramos e Zahidé Lupinacci Muzart a oportunidade de ler e aprender com seus instigantes textos. Escritos com rigor mas sem rigidez, esses textos tornaram esse processo imensamente prazeroso. A Antonio Viñao, não só pela disponibilidade com a qual acolheu nosso convite, mas sobretudo pela generosidade de suas palavras sobre o trabalho realizado. A Martha Mignot Cordeiro e Analúcia Teixeira Ribeiro, que com boa vontade e profissionalismo ajudaram a viabilizar o livro. A Carlota Boto e Nilda Alves pelo estímulo constante e afetuoso à concretização deste projeto.  

 

[1] Coordenada por Maria Teresa Santos Cunha, que apresentou o trabalho “Diários femininos: a escrita memorialística em questão”; contou com a participação de Ana Chrystina Venancio Mignot, expondo “Pedaços da vida em velhos papéis”, e Maria Helena Camara Bastos, que examinou “A biografia em questão: uma figura singular numa história plural”.

[2] O prêmio foi oferecido pela revista Marie-Claire y Calvin Klein Cosmetics por ocasião do lançamento de um perfume. Coube à equipe da Unidad de Estudios Biográficos de la Universidad de Barcelona trabalhar na seleção do texto, sob a coordenação de Anna Caballé, pesquisadora com expressiva publicação sobre memórias e autobiografias. Para consultar os textos encaminhados ao concurso, consultar Bonet & Caballé, 2000.

[3] Sobre as mudanças de atitude frente ao privado revelado na escrita íntima consultar Foisil, 1991.

[4] Bem trabalhada, entre outros, no clássico estudo de Le Goff, 1984.

[5] Para Furet, uma história-problema seria aquela em que o pesquisador constrói seu objeto de estudo delimitando não só seu período, o conjunto dos acontecimentos, mas também os problemas colocados por esse período e por esses acontecimentos, e que ele terá de resolver. Ver Furet, 1982, p. 85.

[6] Em outro estudo, Nóvoa destaca quatro tendências para a História da Educação: (1) história dos atores educativos, estudos que trazem para o retrato histórico os alunos, os professores, as famílias etc; (2) história das práticas escolares em face ao novo conceito de cultura, abordando a história das disciplinas escolares, a história do currículo, a história da leitura e do livro escolar, a história da alfabetização; (3) história das idéias pedagógicas e a construção social do discurso, na perspectiva da construção, reconstrução, transmissão e recepção das idéias através do tempo e do espaço, com atenção especial às práticas discursivas, particularmente nos momentos de ruptura e conflito; e (4) história dos sitemas educativos, na perspectiva de uma educação comparada em sintonia com as transformações do político, numa dialética entre o local e o regional (Nóvoa, 1994, p. 91).

[7] O GEDOMGE é coordenado por Denice Barbara Catani, Belmira Oliveira Bueno, Cynthia Pereira de Sousa e Maria Cecília Cortez C. de Souza.

[8] Sobre memórias de adolescentes ou jovens e memórias de velhos, consultar Alberca, 1997, p. 11-26 (em que Alberca segue as pistas de Philipe Lejeune) e Bosi, 1987.

 

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