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MATERNIDADE E FEMINISMO:
DIALOGOS
INTERDISCIPLINARES |
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CRISTINA STEVENS (org). 2007
Afinal,
não reconhecidas como mulheres com capacidade e experiência de
reprodução e procriação, não identificadas com a maternidade,
fomos reduzidas a corpos desapropriados de sua dimensão humana,
corpos despossuídos de finalidade e de sentido. Corpos, finalmente,
saturados de ausências, investidos de negatividade – inúteis,
incapazes, indóceis, insanos, impróprios, infelizes, indignos,
incompletos, indisciplinados, inferiores, etc – porque desprovidos
das marcas que o figuram como corpo da “verdadeira mulher”: a
reprodução e a maternidade. Todavia,
naquilo que escapa da lógica patriarcal, são, paradoxalmente, corpos
plenos de positividade, no sentido de que são corpos que se libertam
de uma finalidade atrelada ao ventre, ao destino “natural” de toda
mulher. Como o meu, quantos outros corpos, embora aprisionados por
outros tipos de encarceramentos, não se deixaram aprisionar pelas
representações do feminino e da maternidade? Quantos outros corpos não
se deixaram enredar e se envolver pelos apelos do social que,
reiteradamente, incessam e louvam a figura da mãe, a capacidade
reprodutora como apanágio das mulheres, assumindo o ônus e o bônus
decorrentes de tais escolhas? [ DA Apresentação
de Diva do Couto Gontijo Muniz] |
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