Práticas pedagógicas e emancipação: gênero e diversidade na escola     

Carla Giovana Cabral, Luzinete Simões Minella (orgs.).Práticas pedagógicas e emancipação: gênero e diversidade na escola. 2009.

 

 APRESENTAÇÃO 
 
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA:
UMA EXPERIÊNCIA COLETIVA E TRANSFORMADORA
 

    É com muita satisfação que apresentamos este livro, fruto da experiência pioneira da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC na formação de professor@s de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio sobre as temáticas de gênero, orientação sexual e questões étnicas na escola.

     O curso de educação à distância Gênero e Diversidade na Escola-GDE, proposto para todo o país pela parceria da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres-SPM com o Centro Latino Americano de Estudos de Sexualidade-CLAM em edital SECAD / MEC, a partir de projeto elaborado pelo CLAM-UERJ, ministrado em 2006 como experiência piloto em municípios de vários estados do Brasil e, posteriormente, no Chile, foi realizado na UFSC pelo Instituto de Estudos de Gênero-IEG.

     O IEG foi criado em 2005 por uma equipe interdisciplinar de professoras de vários centros, departamentos, núcleos e laboratórios de pesquisa da UFSC, com o objetivo de reunir todas as atividades de longa data em desenvolvimento na instituição em torno dos estudos de gênero e feministas, envolvendo também pesquisadoras de outras universidades, como a Universidade do Estado de Santa Catarina-UDESC.1

     Um projeto inicial do IEG que dava continuidade às atividades da equipe, apresentado por uma de suas coordenadoras, e que obteve financiamento da SPM, teve como objetivo criar uma rede de núcleos de pesquisa em gênero que se estendesse pelas diferentes instituições de ensino superior, por todo o estado de Santa Catarina. Esta proposta, iniciada em 2008 para ser concluída em 2010, previa a vinda de pesquisadoras estrangeiras para palestras e trocas de experiências com as professoras da UFSC e das universidades localizadas nas diferentes regiões do estado catarinense. Previa também, e especialmente, a realização de três cursos de curta duração de conhecimentos básicos em Gênero e Feminismo, ministrados por professoras da UFSC e da UDESC, destinados a docentes das várias IES do estado, que pertencessem a núcleos de pesquisa em gênero ou estivessem interessadas em criar estes espaços de reflexão, investigações e práticas em suas instituições, formando assim a pretendida rede de núcleos de gênero em Santa Catarina.

     Participando da organização e implantação do GDE na UFSC e, especialmente, dos encontros presenciais nos pólos UAB/UFSC nos municípios do estado em que o curso foi oferecido, pudemos perceber que um dos grandes objetivos do IEG foi significativamente atingido e alargado com sua realização. O GDE deu uma dimensão mais ampla e democrática para o pretendido projeto de formação de uma grande rede de estudos, reflexões e práticas feministas e de gênero estendida por todo o estado, na medida em que atingiu professoras da rede pública catarinense de Educação Básica. Professores que, por vários meses, estiveram conectados em torno de estudos e discussões de temas transversais da educação, buscando aprofundar e articular as diversidades de gênero, raça/etnia e sexualidade, suprindo defasagens de sua formação de educadoras em torno de questões fundamentais na prática do magistério e nas vivências. Os artigos reunidos nesta coletânea demonstram a importância do GDE/2009 também em relação a este aspecto.

     A publicação deste livro encerra e cristaliza, de alguma forma, um longo processo que envolveu várias etapas e cujo início se deu em abril de 2008, quando enviamos nosso projeto de curso de capacitação de professoras ao Ministério da Educação em resposta ao primeiro edital de ensino à distância na área de gênero. Trabalhamos em sua preparação durante todo o segundo semestre de 2008 e fizemos a formação das tutoras durante o mês de fevereiro de 2009. O curso, propriamente dito, ocorreu de março a julho de 2009 mas a equipe envolvida levou mais seis meses fechando relatórios e redigindo os artigos que aqui apresentamos.

     Este projeto envolveu uma grande equipe de pessoas para que pudesse ser realizado. Tivemos quatro professoras-pesquisadoras da UFSC em diferentes etapas de sua coordenação, três funcionários na secretaria, uma dezena de bolsistas de apoio atuando em momentos estratégicos do curso, dez professoras universitárias coordenando o ensino presencial e o acompanhamento das turmas, vinte estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado) atuando como tutoras à distância, vinte professoras das redes municipais como tutoras presenciais e um número inicial de 500 cursistas. Diga-se de passagem, este número reflete, apenas em parte, o grande interesse que a divulgação do curso despertou em Santa Catarina. Seis meses antes de o curso começar, em setembro/outubro de 2008, tivemos cerca de 150 estudantes de pós-graduação inscritas para a seleção de tutoras e 850 professoras da rede pública inscritas na seleção inicial de cursistas – números que mostram tanto a existência hoje de um importante contingente de jovens pesquisadoras formadas nas áreas de gênero, sexualidade e questões étnico-raciais, quanto a imensa demanda de formação por este campo de conhecimento.

     Para todas nós que participamos deste projeto, atraídas pela ação pioneira do CLAM-UERJ, tratou-se de uma experiência inigualável em vários sentidos. Primeiro pelo denso e intenso aprendizado que significou para todas nós a participação no desenvolvimento e na aplicação de políticas públicas de gênero na área de Educação. Segundo porque este compromisso foi mostrando, ao longo de seu desenvolvimento, ser também um engajamento com a formação teórica e com a prática de ensino das estudantes de pós-graduação envolvidas neste projeto como tutoras à distância. A premissa feminista de que “não há teoria sem prática” mais do que nunca esteve presente em nossa jornada, permitindo também o “contato com a realidade” das práticas escolares, tão importante para as futuras mestres e doutoras que estamos formando. Por fim, este livro reflete a experiência de aprendizado grupal que o desenvolvimento do projeto proporcionou a professoras doutoras experientes a partir do diálogo com as tutoras à distância, todas mestrandas e doutorandas nas áreas do curso, e com as tutoras presenciais, professoras da rede pública dos municípios onde o curso foi ministrado.

     O artigo inicial, das coordenadoras da etapa de realização do curso, Luzinete Simões Minella e Carla Cabral, dá uma ampla visão do impacto e da avaliação do curso em Santa Catarina. As autoras desenvolvem uma análise geral do GDE e, em particular, dos dados recolhidos nos inquéritos realizados com cursistas e tutoras do curso – inquéritos propostos pelo MEC. O deciframento dos dados recolhidos mostra que a grande maioria de cursistas e tutoras avaliou muito positivamente o curso. Os dados apontam para o processo de aprendizagem tanto das cursistas quanto das tutoras, mostrando o forte impacto multiplicador que o curso certamente terá não apenas nos municípios dos pólos, mas também em outras instâncias nas quais as tutoras à distância virão a atuar quando da finalização de sua formação de pós-graduação. No que diz respeito às/aos tutoras presenciais, a participação neste projeto certamente as habilitou para outros projetos de ensino à distância em seus pólos, o que nos parece também altamente positivo. Finaliza o artigo uma reflexão sobre o caráter profundamente democrático e multiplicador que o Ensino à Distância permite.

     Os outros textos foram escritos pelas equipes dos dez pólos de Santa Catarina. Seguem, na sua maioria, um roteiro similar, iniciando com uma breve apresentação de dados demográficos, geográficos e históricos dos municípios onde o curso foi ministrado, seguindo-se uma explanação sobre os procedimentos teórico-metodológicos utilizados em cada pólo e, por fim, analisando os desafios e aprendizados que a experiência representou para cada equipe.

     Alguns dados sobressaem em todos eles, como o fato de o GDE ter sido o curso à distância que inaugurou vários dos pólos de Santa Catarina, sendo, portanto, um curso pioneiro e, ao mesmo tempo, iniciador da experiência de Ensino à Distância em vários municípios do interior catarinense. Desta forma, a experiência relatada aqui vai para além dos aprendizados em relação a gênero, sexualidade e questões étnico-raciais, constituindo-se também como uma interessante reflexão, agora já parte da história, sobre a implantação do ensino à distância em Santa Catarina. Pelo que relatam os artigos, este ensino já está transformando não só os municípios contemplados mas também, de forma indireta, as práticas de ensino e de aprendizagem em sala de classe e a produção de pesquisas na sede da UFSC, em Florianópolis, e nas outras instituições envolvidas, através de suas/seus professoras, neste projeto: UDESC, UFPR, UNISUL, UNOESTE.

     Um outro ponto que aparece na maioria dos artigos diz respeito às dúvidas e às reticências sobre o Ensino à Distância por parte de grande maioria da equipe de professoras e tutoras. Os textos mostram a gradativa mudança nos conceitos e nos valores das equipes formadoras e revelam também o momento de profunda transformação em nossos paradigmas a respeito do processo de ensino e aprendizagem que estamos todas vivendo. Observa-se, em cada artigo, uma forte preocupação em explicar como funcionam e qual o papel dos cursos à distância, o que mostra como esta questão foi mobilizadora de toda a equipe que dele participou. Parece que a grande descoberta foi com o caráter democrático do curso, ou seja, o fato de esta modalidade permitir a pessoas que vivem fora de grandes cidades o acesso a conhecimentos de ponta, como os ensinados em nosso curso.

     Muitos dos textos trazem relatos detalhados dos procedimentos didáticos, das oficinas realizadas, das formas de trabalho individuais e em grupo. Todos eles nos apontam para a constatação de que, mais do que o meio de ensino (presencial ou virtual), o que está em jogo, quando se trata do aprendizado, é o compromisso que temos com a transmissão de saberes e competências, compromisso que só tem eficácia quando se estabelece um verdadeiro vínculo entre professoras e alunas. Mas não basta “afeto” para que o processo de aprendizado se realize. Este vínculo só se efetiva em verdadeiro crescimento quando quem ensina também tem claro que está aprendendo com o processo e está engajado, por sua vez, em estudar, pesquisar e encontrar soluções a problemas que lhe são colocados pelas cursistas.

      No entanto, cada texto aqui publicado traz contribuições originais e particulares às questões gerais trazidas pelo GDE, como podemos sintetizar a seguir.

     Tânia Cruz, professora do pólo de Videira, traz uma boa revisão da literatura sobre Educação à Distância e reflete sobre a importância do Diário no acompanhamento da turma, apontando para seu papel importante como instrumento de auto-análise e crescimento através do questionamento crítico de seus saberes. Retraçando o perfil das cursistas, em sua maioria mulheres brancas na faixa de 20 a 40 anos, formadas em Pedagogia e vivendo em conjugalidade, Tânia reflete sobre a forma como o curso à distância é vivido em seus cotidianos de professoras que são ao mesmo tempo mães, esposas e donas-de-casa. Seu texto, fartamente ilustrado com gráficos a respeito do uso do Diário, aponta para uma das questões de grande importância no processo de aprendizagem, que é o papel do erro e da ignorância como instrutivos e ilustradores do crescimento intelectual das cursistas.

      Marlene Tamanini, professora no pólo de Canoinhas, escreve um texto em colaboração com as tutoras Solange dos Santos e Elisabeth Sartor, no qual avaliam os limites e desafios que enfrentaram em sua experiência no GDE. O texto adota uma perspectiva pós-moderna, auto-reflexiva e bastante crítica em relação às dificuldades encontradas em seu pólo, que pareceram as mais significativas entre todos os pólos atingidos. Refletem sobre as dificuldades de ordem subjetiva que impediram, em muitos momentos, um verdadeiro engajamento no processo de mudança de paradigmas – que o GDE exige – por parte de muitas cursistas, sobre as possíveis formas de superá-las e também sobre o aprendizado relativo ao uso das novas tecnologias de comunicação. Destacam ainda as diferentes formas de investimento das alunas, seja nas atividades presenciais realizadas em local pouco apropriado e desconfortável, seja no acesso às atividades on-line, dificultadas pelo fato de parte significativa das cursistas não ter acesso à Internet em casa e estar muito distante do pólo. Finalizam com uma interessante proposta para uma melhor avaliação das cursistas, respeitando os diferentes investimentos on-line e presencial.

      A professora Cristiani Beretta escreve em parceria com a tutora Cíntia Tuler, ambas do pólo de São José, cidade da Região Metropolitana de Florianópolis. Elas refletem, em seu artigo, sobre a formação docente e a desigualdade no espaço escolar. O texto está dividido em três partes. Na primeira, relatam a experiência de ensino em seu pólo, com especial destaque à atividade intitulada “do segredo”, que teve especial importância para este grupo como forma de abertura aos temas tabus abordados no curso. Na segunda, trazem uma densa análise sobre o papel da Escola na sociedade ocidental, remontando, em seu texto, a uma verdadeira história da educação, com especial destaque ao papel disciplinar da escola na modernidade. E, na terceira, analisam a função que um curso de formação como o GDE pode ter para professoras da rede pública. Destacando a diferença entre os conceitos de diferença e igualdade, elas finalizam revisando a literatura sobre diversidades étnicas e de gênero no campo da educação, dando particular atenção às representações veiculadas nos livros escolares e infantis.

      Jimena Furlani, que foi professora em dois pólos, Braço do Norte e Itajaí, tendo, portanto, coordenado duas equipes de tutoras, escreve um texto individual, complementado por textos escritos pelas duas equipes. Em seu artigo, reflete sobre suas duas experiências de GDE, uma no curso piloto, dado pelo CLAM em 2006, a outra no IEG em 2009. Seu texto, recheado de exemplos dos comentários das cursistas, traz uma profunda reflexão sobre o papel do ensino à distância na problematização de questões de gênero na escola. Amanda Leite e Elisângela Machieski, tutoras no pólo de Braço do Norte, refletem em seu artigo sobre os aprendizados, possibilidades e limites do papel da tutoria no GDE. Destacam, como outros textos, a importância do encontro presencial e dos feedbacks constantes das tutor@s às indagações das cursistas para que o diálogo estabelecido à distância se transforme numa verdadeira relação de aprendizado estabelecido pela troca e pela confiança. Maise Zucco e Susana Almeida, tutoras do pólo de Itajaí, retraçam em seu artigo os aprendizados recebidos no curso de formação em EAD realizado à distância junto à UFPR. Destacam também o papel de mediação que está sob responsabilidade das tutoras e o quanto este é importante para o bom desenvolvimento do curso; e refletem sobre as razões de evasão identificadas no pólo de Itajaí, em particular a sobrecarga dos professores da rede pública de ensino, tema que também aparece em alguns dos outros artigos deste livro.

     O artigo da equipe coordenada pela professora Valéria Madureira, do município de Concórdia, na região Oeste de Santa Catarina, traz uma ótima contribuição teórica sobre o significado da memória e do relato do vivido e propõe um relato situado da experiência vivida coletivamente pela equipe. Valéria, Maria Cristina e Justina retraçam o processo, aula por aula, trazendo-nos, assim, tanto exemplos concretos de oficinas e de outras atividades didáticas quanto uma apurada reflexão sobre o vivido coletivamente no processo de aprendizagem.

     Outra equipe, a do pólo de Blumenau, coordenada por Olga Zigelli Garcia, avalia a importância que teve para o processo de ensino-aprendizagem no referido pólo o fato de ser uma equipe interdisciplinar, na qual se buscou também a construção de um processo totalmente horizontal, permitindo a todas que dessem aulas sobre temas propostos em cada encontro. Explanam em detalhes a forma como desenvolveram o curso através de oficinas, encenações, vídeos, músicas, debates e, inclusive, no estímulo à pesquisa de campo da turma junto a suas realidades escolares. O entusiasmo do grupo e a avaliação positiva que fazem do processo coletivo expressam-se na referência final ao texto “Professor Apaixonado”, o qual ilustra claramente o engajamento deste pólo, que se destacou também pela excelência de sua instalação física e tecnológica.

     Tito Sena, professor no pólo de Chapecó, analisa em seu artigo a importância das aulas presenciais do curso, destacando o papel que a análise da mídia tem para a transposição didática dos conteúdos abordados no curso. Centrado em projeção de filmes e de vídeos e na análise de artigos dos números de domingo da Folha de São Paulo, o projeto pedagógico em Chapecó mostrou-se muito rico no que o autor denomina “exercício de sonhar juntos com o fim da naturalização da desigualdade hierarquizante de gênero, orientação sexual, etnia e classe social”.

     O texto da equipe do pólo de Itapema, na região do litoral catarinense, coordenada por Leandro Oltramari, revela a importância da integração do professor responsável com as tutoras à distância e presenciais. O artigo retraça as dúvidas em relação ao ensino à distância que acompanharam o processo da equipe e a forma como estas foram superadas através das práticas pedagógicas assumidas em grupo, em particular no controle à evasão através do vínculo estabelecido com @s cursistas e pela proposta pedagógica explanada na segunda parte do artigo.

     O artigo da equipe do pólo de Florianópolis, coordenada pela Professora Gláucia de Oliveira Assis, traz insights interessantes sobre o papel inovador do GDE, ao constatar que o público de cursistas é composto por professoras jovens, em sua maioria no início de carreira, em particular vinculadas ao ensino infantil e ensino fundamental. A análise desenvolvida pelas autoras destaca a centralidade da problemática da homossexualidade nas demandas e discussões das professoras, mostrando o quanto a questão de gênero é central na experiência de vida e escolar deste público. Além disto, o texto traz também importante contribuição para o módulo das questões étnico-raciais com o relato das atividades e problematizações trazidas pela tutora Rute Miriam Albuquerque e a constatação do pouco espaço para esta questão no interior do GDE.

     Para finalizar, gostaríamos de registrar a alegria e a satisfação coletivas com o final deste projeto. Acreditamos que, além da formação de várias dezenas de professor@s em Santa Catarina, cumprimos com um compromisso social mais amplo – um compromisso assumido indiretamente por todas nós, pesquisadoras, com as centenas de representantes da sociedade civil presentes na IIª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres que haviam votado massivamente pela inclusão da proposta de cursos de formação para professoras como metas prioritárias das políticas públicas para o triênio 2008-2010. Pensamos que, ao participar desta experiência nacional que foi o GDE, o Instituto de Estudos de Gênero da UFSC pôde reforçar em nível local seu papel na formação, transmissão e divulgação dos conhecimentos de ponta que produz na área de gênero no Brasil. Esperamos que este livro ajude e inspire novas e promissoras experiências no campo da formação em gênero, sexualidade e questões étnico-raciais. 

               Miriam Pillar Grossi e Mara Coelho de Souza Lago


 

 




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