Angélica
Soares. Transparências da Memória/Estórias de
opressão - (Diálogos com a poesiabrasileira
contemporânea de autoria feminina). Florianópolis: Ed.
Mulheres, 2009.
R$ 38,00.
Orelha
A publicação de Transparências da
memória / Estórias de opressão, de Angélica Soares, é muito oportuna, pois
surge num momento em que a crítica acadêmica parece se ressentir da falta de
novas abordagens da produção poética.
O subtítulo – “Diálogos com a poesia brasileira contemporânea de autoria
feminina” – nos dá não apenas a chave para adentrar no trabalho realizado por
Angélica Soares, através das transparências poéticas da memória, como a síntese
de sua atividade acadêmica, seja na sala de aula, seja nos congressos de
literatura de que participa. Respeitada estudiosa da literatura em versos,
notadamente a assinada por mulheres, Angélica revira o avesso de cada texto e
nos apresenta – como se estivesse à flor da pele – o sentimento mais oculto, a
metáfora mais recôndita, o segredo, enfim, que a poetisa logrou confiar ao
poema.
A motivação desse estudo é investigar as veredas da escritura
memorialística – a metamória, como ela nomeia –, através de sutis vestígios do
poético, para detectar os pontos de pressão que historicamente se repetem no
cotidiano do universo feminino: a busca da identidade, a construção da memória,
o envelhecimento. Para tanto, seleciona um conjunto significativo de mestras da
arte poética – Adélia Prado, Alice Ruiz, Arriete Vilela, Astrid Cabral, Cecília
Meireles, Diva Cunha, Helena Parente Cunha, Hilda Hilst, Lara de Lemos, Lya
Luft, Marly de Oliveira, Myriam Fraga, Neide Archanjo e Renata Pallottini – e,
com muita competência e delicadeza, nos faz refletir acerca das contradições e
dos avanços do percurso emancipatório feminino.
A experiência acadêmica da ensaísta, como professora de Teoria Literária
e Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sua
sensibilidade e a larga experiência na análise literária, são por demais
conhecidas. E são justamente elas que garantem o mérito de seu trabalho
intelectual, e a sólida contribuição para os estudos da literatura brasileira
feminina contemporânea.
Constância Lima Duarte
.
|

|